Pandemia e isolamento social intensificam número de golpes virtuais: saiba o que fazer

Os casos de estelionato em Santa Catarina aumentaram 85% na comparação entre os anos de 2020 e 2019, e a previsão da Polícia Civil é que o recorde de crimes pode ser batido até o final de 2021

Todos os dias novas notícias apontam para o surgimento de golpes e situações em que pessoas inocentes acreditam em alguém e acabam perdendo dinheiro. De acordo com um levantamento feito pela Gerência de Estatística e Análise Criminal da Secretaria de Estado de Segurança Pública, o número de ocorrências de estelionato aumentou 85% em Santa Catarina em 2020, ano de maior isolamento social para a contenção da pandemia de Covid-19, na comparação com o ano de 2019.

Diante do aumento dos golpes, principalmente utilizando a internet, aplicativos e o sistema instantâneo de pagamentos PIX, o Banco Central teve que introduzir medidas de segurança adicionais ao PIX. Com isso, desde o final agosto de 2021, esta forma de pagamento tem limite de transferências estipulado de R$ 1 mil entre as 20h e as 6h.

Além do golpe do PIX, outra fraude que tem crescido muito utiliza o WhatsApp. Neste caso, o golpista costuma usar a foto de outra pessoa, inventa um nome falso e pede dinheiro para parentes e amigos da vítima. O diretor do Procon de Blumenau, André Cunha, explica o que a pessoa que caiu em um golpe destes pode fazer.

“Nesses casos, o primeiro passo é denunciar o contato suspeito no próprio WhatsApp. Em seguida, é preciso dar seguimento na denúncia, através do e-mail do aplicativo (support@whatsapp.com), informando o ocorrido. Além disso, a vítima deve comunicar a situação para o maior número de conhecidos que puder, para que eles não sejam vítimas”.

André Cunha, diretor do Procon de Blumenau
Créditos da imagem: Eraldo Schnaider/Divulgação/Nosso TAL

Segundo o Delegado da Polícia Civil , outubro e novembro são os meses com o maior número de golpes.

“Em outubro e novembro tem um crescimento muito grande em golpes de hospedagem, começa as férias escolares e tal. Hoje com o PIX teve um grande problema, porque o pagamento cai na hora, então assim, se envolve grande quantia, venda de carro, vale mais fazer um TED bancário do que fazer um PIX. Vai pagar uma taxinha, mas na hora de tentar conseguir um estorno pelo banco, fica mais fácil”.

Lucas Almeida, delegado da Polícia Civil

Os principais golpes aplicados atualmente

Confira a lista dos principais golpes aplicados na atualidade, conforme o diretor do Procon de Blumenau, André Cunha:

  • Cartão de Crédito clonado: a partir de uma oferta “sensacional”, o golpista consegue conquistar o consumidor, que clica no link e é levado até a loja de uma empresa, que pode ser conhecida ou não. Ele digita os dados pessoais e do cartão de crédito. Sem perceber que foi levado para um site “falso”, o consumidor tem o cartão clonado e usado por outras pessoas.
  • Golpe do WhatsApp: após conseguir o seu número de telefone em sites de anúncio ou em bancos de dados que foram “vazados”, os golpistas entram em contato com você pedindo a confirmação, por WhatsApp ou por uma ligação, de um número de verificação que será enviado via SMS. Com essa informação, eles conseguem utilizar o seu WhatsApp.
  • Golpe do Caixa Tem: ocorre quando as vítimas recebem, por meio de aplicativos, principalmente o WhatsApp, uma mensagem sobre o auxílio emergencial. Nela, criminosos pedem que o usuário acesse um link e preencha um formulário para saber se tem ou não direito ao saque. Com isso, eles conseguem roubar os dados da vítima.
  • Golpe do boleto: é uma modalidade criminosa muito comum. Começa com a vítima fazendo o download de um arquivo no computador ou no celular sem saber que esse arquivo é, na verdade, um vírus que permite a inserção de um código malicioso. Esses códigos modificam a linha digitável do código de barras de boletos. 
  • Golpe do falso motoboy: ocorre quando os criminosos entram em contato com as vítimas se fazendo passar pelo banco para comunicar a realização de transações suspeitas com o cartão de crédito do cliente. Após usar técnicas de engenharia social para obter informações sigilosas, como senhas e dados pessoais, os golpistas informam que um motoboy será enviado para recolher o cartão supostamente clonado para que sejam feitas outras análises necessárias para o cancelamento das compras irregulares. A partir daí, o cartão é utilizado pelos criminosos para compras e transações bancárias.
Créditos da Imagem: Lobo Studio Hamburg/ Divulgação/Nosso Tal

Caí em um golpe, e agora?

Importante evitar cair em um golpe. Mas, quando isso acontece, o que fazer? É importante ter a atitude correta e rápida quando você perceber que caiu em uma cilada. O diretor do Procon de Blumenau explica que o primeiro passo é ir até uma delegacia.

“O primeiro passo é ir até uma delegacia e registrar um Boletim de Ocorrência. Deve apresentar à polícia todas as evidências que você possui: troca de mensagens com a pessoa/empresa que aplicou o golpe, dados, etc. Não fique imediatamente focado no cancelamento ou devolução/restituição do valor. Após procurar um órgão de Defesa do Consumidor para orientações, estes indicarão os próximos procedimentos a serem tomados”. 

André Cunha, diretor do Procon de Blumenau


Existe a possibilidade de registrar o Boletim de Ocorrência de forma on-line. Basta, para isso, acessar o site da Polícia Civil. Além do site, a denúncia pode ser feita através do WhatsApp e do Telegram da Polícia Civil, pelo telefone (48) 98844-0011.Quando o golpe for bancário, o Boletim de Ocorrência virtual acelera o processo, como explica o delegado Lucas Almeida.

“Então, se você foi vítima de golpe, a primeira coisa é fazer um B.O (boletim de ocorrência). Você faz o B.O on-line, pega a cópia e já manda para o gerente do banco para ver se consegue um estorno. Coloca o máximo de informações no Boletim de Ocorrência para facilitar o trabalho da polícia. Coloque os dados, quem fez, quem recebeu o dinheiro, conta bancária, CPF e CNPJ”.

Lucas Almeida, delegado da Polícia Civil

Segurança contra os golpes

Alguns bancos fazem campanhas contra golpes em seus sites e em suas agências. No site do Itaú, por exemplo, o banco avisa que o cadastramento da chave PIX é realizado somente nos canais oficiais do banco. Além disso, quando o cliente faz alguma compra no qual existe suspeita de fraude no processo, o banco entra em contato com a vitima diretamente, enviando um SMS de confirmação no número cadastrado pelo cliente, pois é importante saber se foi realmente o dono da conta que fez a ação.

Crédito da imagem: Site do Itaú/Divulgação/Nosso TAL

A internet é um lugar amplo e com muita informação disponível. Os criminosos aproveitam muitas destas informações para efetuar seus golpes. A maior parte dos crimes utilizam informações duvidosas. Então quando você receber alguma mensagem de um número que você não conhece, desconfie.

Além de desconfiar de números que você conhece, não entre em links de compra em sites sem o protocolo de transferência de hipertexto seguro (o cadeado no canto esquerdo do link). Suspeite quando receber alguma ligação de banco, lembrando que os bancos não pedem informações confidenciais dos seus clientes por telefone. Além disso, em hipótese alguma informe sua senha ou o código de segurança do seu cartão de crédito.

Repórter: Luana de Oliveira. Editora: Aline Vitória de Lucca.

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