Músicos dividem opiniões sobre a relação da arte com a política

Composições sobre política são comuns, mas essa temática não é um consenso entre a classe artística

Marco Aurélio Júnior

Detonautas, Raul Seixas, Caetano Veloso, Gilberto Gil, entre outros músicos e bandas têm em comum músicas com forte teor político-social. A relação da música com a política é histórica no Brasil e em outras partes do mundo. Mas nem todos os músicos compartilham da opinião de que a música deve exercer um papel político e denunciar o que está errado na sociedade, exercendo um papel transformador neste processo.

Enquanto muitos músicos acreditam que as suas composições devem não apenas falar sobre política mas ser, também, ferramentas de influência no cenário político-social, outros músicos acreditam que suas composições não devem ter esse papel de mudança social. O músico Paulo Germano, da banda blumenauense Corvette 68, faz parte do primeiro grupo.

“A arte, de modo geral, é uma ferramenta de expressão que interfere diretamente no ‘inconsciente coletivo’, reforçando estereótipos, criando e acentuando tendências”, opina Paulo. “Exatamente por esse alcance, essa influência, é que existe uma significativa preocupação dos governantes e dos veículos de comunicação com o conteúdo da arte que chega ao grande público”, complementa o músico.

Contexto social influencia estilos e composições


O fato de historicamente a música estar relacionada ao contexto político-social brasileiro não é passado, mas sempre presente. “Desde o samba carioca das décadas de 1910 e 1920, (que fala) sobre o tratamento desigual com negros e moradores da periferia por parte da polícia, até os últimos lançamentos da banda Detonautas, o que diferencia esta influência da música nas massas é justamente a sua veiculação midiática. Sempre houve a música de apoio e de desapoio ao poder vigente, a diferença é (saber) qual delas tem maior visibilidade nos veículos de comunicação”, observa Paulo.

De acordo com o músico, ainda que a internet facilite, atualmente, o compartilhamento de músicas entre as pessoas, o acesso às composições ainda apresenta uma distribuição desigual.

O estilo musical, segundo Paulo, também vai do contexto do qual os músicos fazem parte. “Um fator social é relevante, ou seja, o contexo em que esta música está inserida. O que comunicaria melhor com a periferia carioca do que o funk carioca, o hip hop ou o rap? Isso explica a procura por artistas destas vertentes por grandes produções”, observa.

Questão política envolve também o apoio do governo para alguns artistas

Não são todos os músicos que pensam que a música faz parte de um certo contexto político-social. Mas mesmo quem discorda desta perspectiva, concorda que existe uma relação entre o trabalho artístico e o contexto no qual ele está inserido.

“Para mim, música e política são assuntos distintos. Existem músicas falando de política, o que acho muito massa, pois na maioria das vezes elas falam a verdade. Mas nesse metiê tem vários artistas, cada um com sua opinião exposta nas suas músicas”, opina Marco Aurélio Reis, mais conhecido como Marquinho, baterista da Banda Cavalinho.

A relação da música com a política, para Marquinho, não existe apenas na temática de muitos artistas, mas pode ser observada de outras formas. “Não só a música, mas a cultura como um todo tem apoio do governo. Mas, infelizmente, na maioria das vezes, (esse apoio) não chega ao pequeno músico ou artista. Esse apoio do governo chega somente para os ‘grandes’ artistas que fazem mega shows e que tem cachês exorbitantes, que não precisariam deste apoio, mas recebem. Um destes apoio é a Lei Rouanet”, observa Marco Aurélio.

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