Feirinha da Servidão ganha destaque em Blumenau

Evento, sucesso de público, é realizado uma vez por mês na cidade

Júlia Vanderlinde

Um domingo por mês, a rua da Prefeitura de Blumenau, no centro, se transforma. Ela é tomada por novas cores, aromas e sons. É a Feirinha da servidão Wollstein, acontecendo. A rua é preenchida com feirantes, músicos e os visitantes.

A feirinha da servidão tem um formato especialmente pensado para Blumenau, reunindo várias culturas e formas de pensar, o que fica claramente exposto tanto nos visitantes que passam ao longo do dia quanto nos vários feirantes que expõem na feirinha.

Essa história começou em 2013, quando os jornalistas Giovanni Ramos e Leo Laps, o empresário Fábio Wollstein e o artista Jean Errado tiveram a ideia de criar um evento literário, com apresentações musicais, dando início à Feirinha da Servidão  Wollstein, que acontecia na rua de acesso e dentro do Butiquin Wollsteins, na época localizado na rua Floriano Peixoto. 

“O crescimento do evento foi orgânico devido à demanda por eventos ao ar livre em Blumenau. O começo despretensioso, de reunir alguns amigos para falar sobre literatura, ouvir música e trocar alguns discos foi sendo visto como um espaço interessante para pequenos empreendedores artesanais, fazendo com que a procura crescesse e a feira passasse a ocupar as ruas Floriano Peixoto e a Curt Hering”, comenta Diego Lottin, um dos atuais organizadores da Feira.

Foto: Júlia Vanderlinde

O evento é algo diferenciado que Blumenau nunca tinha vivenciado anteriormente. É impossível quem caminha pelos corredores da feirinha não sentir uma sensação agradável em meio a música e os produtos únicos, vendidos pelos feirantes. A rua literalmente se transforma com sofás e fitas coloridas por todos os lados. É um espaço para todos, tanto para as famílias visitarem com seus filhos quanto para grupos de amigos que buscam uma opção de lazer alternativo no final de semana na cidade. “A feirinha quer, cada vez mais, oportunizar com que público, produtores e artistas se encontrem na rua em um ambiente de cultura e lazer, fortalecendo o mercado e mostrando o potencial que a economia criativa tem na geração de renda, emprego e desenvolvimento social. Queremos crescer de forma harmônica, dialogando com a cidade e ocupando a rua com cultura e arte”, revela Diego.

Cada vez mais a feirinha tem crescido e uma das preocupações de Diego é que isso aconteça de uma forma sustentável. “O maior desafio é produzir um evento impactante de forma sustentável. Conforme o evento cresce, as necessidades e as expectativas – de público, feirantes, artistas e produção – aumentam, fazendo com que a aproximação do projeto com prefeitura e iniciativa privada aconteça, buscando parcerias para a manutenção das atividades, visto que cerca de 3 mil pessoas circulam em cada ação, consumindo mais de 20 atividades gratuitas além de ter contato direto com pequenos empreendedores de Blumenau e região”, comenta.

Foto: Júlia Vanderlinde

A feirinha conta em média com 125 expositores, que trazem variedade de produtos que colorem a Rua Curt Hering, desde os doces caseiros até os sofisticados bonsais. Os feirantes vêm de várias partes do estado para expor a suas artes. É o caso da mosaicista Katia Silva de Camboriú que vem somente para a feirinha. “O meu trabalho é manual, trabalho com bastante vidro e louça, produzindo peças bem diferenciadas”, comenta Katia.

Foto: Júlia Vanderlinde

Para quem tira seu sustento apenas das feiras, como Katia, que trabalha apenas com isso, a Feirinha da Servidão tem se tornado um dos seus lugares preferidos de trabalho. “Essa feira é superbacana, muito bem organizada. O pessoal que participa é muito legal também, é uma feira que eu realmente gosto de participar”, afirma.

Para Fernando Borges, 24, visitante da feirinha pela primeira vez, a ideia é muito boa. “É muito interessante para divulgar o trabalho de quem trabalha somente com este tipo de feira e para trazer pessoas de fora para conhecer a cidade e a cultura”, analisou.

Outra parte que costuma chamar atenção dos visitantes são as barracas que vendem alimentos preparados de forma artesanal, como as geleias de pimenta e os brigadeiros gourmet. O mais legal é que, na maioria das vezes, é oferecida uma prova para o visitante, que não resiste às delícias e acaba sempre levando algo. É o caso de Aleteia Droma, que sempre visita a feirinha com as filhas e apesar de gostar mais do artesanato, sempre acaba levando algo para comer. “Geralmente as meninas sempre acabam comprando uma coisinha de comer para nós levarmos”, revela.

Além de promover a cultura por meio do artesanato, a feirinha também é um espaço para músicos apresentarem seu trabalho, como o cantor de jazz e blues, André Ribeiro, que já se apresentou em algumas edições. “É uma experiência diferente. O mais legal é que temos a oportunidade de estar diante de um público bem diversificado. Que leva o nosso trabalho além do nosso nicho específico, constata. 

Foto: Júlia Vanderlinde

São dois palcos que são ocupados por artistas de diversos estilos musicais, promovendo um estilo bastante eclético. A ideia inicial de criar um evento literário ainda é preservada no espaço da Esquina Literária, em que os artistas locais podem ocupar o microfone aberto e recitar poesias. Ainda acontecem em todas as edições oficinas de artesanato e também para as crianças com palhaços e contação de histórias.

Desde janeiro de 2016, a feirinha passou a contar com a colaboração da Microponto Soluções, através dos organizadores Diego Lottin e Bruna Zago. Atualmente, a Microponto está à frente do evento, com quatro organizadores envolvidos. “Também contamos com o suporte dos feirantes, que desenvolvem trabalhos de forma colaborativa na construção do evento. Cerca de 30 pessoas, atualmente, fazem parte dessa equipe de produção”, conta Diego.

A feirinha da Servidão já é um dos maiores eventos multiculturais do Vale do Itajaí e tem o objetivo de crescer muito mais. “A evolução foi exponencial e isso mostra a carência que Blumenau tem de atividades deste tipo. De maio de 2017 até agora, vimos um crescimento considerável no fluxo de público, principalmente com um envolvimento maior dos próprios empreendedores com o evento, vestindo a camisa, ajudando a divulgar como um todo. Estamos só no começo, mas sabemos que o que nos espera à frente é algo extraordinário”, assegura Diego. 

Além da Feirinha da Servidão, a região ainda conta com feiras menores que vem ganhando espaço, como a Feira “Se essa rua fosse minha”, em Timbó, e feiras que acontecem nos bairros como o da Velha, em Blumenau.

Foto: Júlia Vanderlinde

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