Um dia com a nova reitora: Marcia Espíndola

Conhecendo a primeira mulher a ocupar a reitoria da Furb

Júlia Henn

Desde a sua fundação, em 1964, a Furb (Universidade Regional de Blumenau) passa por várias transformações; inclusive, tornar-se universidade. Porém, há 54 anos, uma característica da instituição permanece: todos os seus reitores, autoridades máximas do meio acadêmico, foram homens. 

É aqui que a nossa história muda. Na primeira hora do dia 25 de outubro deste ano, Marcia Cristina Sardá Espíndola foi eleita, em consulta prévia, a nova reitora da Furb. Ciente da importância desta conquista, procurei a reitora eleita para conversar e a acompanhei durante alguns afazeres na sua ocupada rotina. 

Encontramo-nos no início da tarde de segunda-feira, 29, no campus I da Furb, mais especificamente na sala que serviu de sede da campanha para a Chapa 3, composta por Marcia e seu vice, João Gurgel. O compromisso do dia seria passar pelo máximo de setores possíveis da universidade, com o objetivo de agradecer o apoio e os votos recebidos.

A partir do momento em que saímos pela porta, não houve um instante em que Marcia e Gurgel não estivessem sendo cumprimentados por servidores dos mais variados setores da Furb. Em cada sala visitada o sentimento era de expectativa para uma nova fase. Abraços e palavras de incentivo foram respondidos pela nova reitora com a frase: “agora é uma só Furb, vamos precisar de todos vocês”, demonstrando que a união será importante nessa nova etapa.

Ao fim da visitação dos setores naquele dia, voltamos à sede da campanha e Marcia me concedeu uma entrevista, na qual foram abordados assuntos como sua trajetória acadêmica e qual é a sensação de ser a nova reitora. Leia abaixo o bate-papo: 

J: Pode me contar sobre a sua trajetória acadêmica? 
M: Eu fui aluna da Etevi, fui bolsista enquanto era aluna da Etevi, técnica administrativa por 14 anos, completei minha graduação nesse período, dentro da Furb em Arquitetura e Urbanismo, depois eu fiz mestrado na UFSC. Então eu voltei, fiz o concurso para professora e sou professora do quadro há 15 anos. No total, são 29 anos de servidora na Furb. Nesse período de 15 anos eu fui chefe do Departamento de Arquitetura e diretora do Centro Tecnológico nos últimos quatro anos. 

J: O que te motivou a montar uma chapa para reitoria?
M: Eu acho que nunca é um desejo pessoal, sempre é um grupo. Então, discutindo, no momento que eu era diretora do Centro Tecnológico, principalmente algumas angústias que nós tínhamos e queríamos avançar dentro da universidade, questão da burocracia, nós achávamos que a Furb podia ser um pouquinho mais rápida em alguns processos, então isso fez com que o grupo dissesse que, já que haveria uma sucessão na reitoria, que nós deveríamos participar desse processo e, como eu era diretora de centro, naquele momento eles acharam que meu nome era o mais indicado para concorrer.

J: E como foi a formação da chapa?
M: Então, nesse processo eles diziam que eu poderia ser reitora principalmente pelo trabalho que eu tinha feito no CCT, de aglutinação, de trabalho em união, trabalho em conjunto e que a Furb estava precisando disso. Então fomos buscar alguém que também tivesse esse perfil; fomos conversar no Centro de Saúde e indicaram o professor Gurgel, o que foi uma sorte para nós, porque também tem esse perfil como o nosso.


J: Como foi o processo para homologar a chapa, aprovar tudo?
M: Nós conversamos com vários grupos, até os outros candidatos, mas nós já tínhamos nos alinhado bastante com o professor Gurgel, com o grupo da saúde, e nós fechamos a chapa muito tempo antes da inscrição. Acho que um mês ou mais antes, quase dois meses, logo que passou a eleição para direção de centro, já alinhamos a chapa. Então, já estávamos juntos, discutindo propostas, muito antes da inscrição. 

J: Qual foi a sensação de ter seu nome anunciado como a nova reitora da Furb?
M: No primeiro momento é muita alegria, você fica numa emoção muito grande, mas ao mesmo tempo já vem a responsabilidade disso, de agradecimento também, das pessoas que confiaram nas nossas propostas, que confiaram em nós… Eu acho que vem uma sensação de vontade de fazer o que eu tava fazendo até agora: de abraçar as pessoas e agradecer essa confiança. As pessoas confiam em você e isso é uma responsabilidade grande. E a universidade, nós já conhecemos ela há tantos anos e sabemos o quanto ela é importante, mas percorrendo essa Furb e depois a repercussão na cidade, a gente percebe realmente a responsabilidade que temos de conduzir essa universidade. Então queremos fazer uma gestão muito participativa, com muito comprometimento, que é o que a universidade merece. Talvez pelo fato de ser a primeira mulher, eu venho sentindo que tem aumentado essa expectativa sobre a minha gestão.

J: Isso que eu queria perguntar. A Furb tem mais de 50 anos de história, você sente o peso de ser a primeira mulher reitora?
M: Sinto. Talvez durante a campanha não sentia tanto e nem comentavam, nós não usamos isso como uma bandeira, tanto que tem algumas pessoas falando que nem tinham se tocado disso. Mas depois do resultado a mídia usou isso muito e, aí sim, a cidade toda tem comentado e é bem interessante quando a gente encontra as mulheres da universidade, me parece que estão muito felizes e se sentindo também vitoriosas por isso. 

Ao ter a oportunidade de conhecer melhor a futura reitora da Furb, me deparei com uma mulher forte e determinada, que tem a união como objetivo e que, ao que tudo indica, fará uma excelente gestão.  

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