Pioneira no assento de motorista

Motorista de ônibus há 18 anos, Meri Teresinha Cardoso Mafra foi a primeira mulher a assumir o volante de um coletivo em Blumenau. Hoje com 54 anos, ela relembra uma trajetória em que foi desencorajada por muitos a seguir a carreira. Apesar dos votos contrários, ela diz que nunca pensou em desistir.

“No começo, foi bem difícil, pois muitos não aceitavam uma mulher nessa profissão. Tive que quebrar várias barreiras. (Mas) Eu ergui a cabeça e segui em frente. Falava pra mim mesma: ‘se eles conseguem, eu também consigo’. Muitos me diziam que não aguentaria nem três dias”, recorda.

Superada a resistência inicial, Meri foi trabalhando, dia após dia, por muito mais tempo que aquela projeção inicial de quem duvidava dela. Aos poucos, ela foi percorrendo todas as linhas do transporte coletivo da cidade. Atualmente, ela dirige nos ônibus das linhas 153, 154, 158, 155 e 120. 

Meri Teresinha Cardoso Mafra enfrentou muito preconceito e abriu caminho para outras mulheres atuarem como motoristas no transporte público de Blumenau. Crédito da imagem: Arquivo Pessoal/Meri Teresinha Cardoso Mafra/Divulgação/Nosso TAL

Parceria com os cobradores, atenção para todos

Para Meri, a maior parceria que ela tem durante a rotina de trabalho são os agentes de bordo (cobradores). 

“Alguns passageiros são um amor. Outras pessoas são muito mal-educadas e não dão nem um simples bom dia. Mas sempre temos que entender o lado deles e ser gentil. Às vezes a pessoa precisa de atenção e isso eu sei fazer muito bem. Sou atenciosa com todos”, ensina.

Apesar do preconceito que enfrenta todos os dias e, também, por conta dele, Meri busca encorajar outras mulheres a trabalharem como motoristas. Na verdade, ela defende que a mulher possa seguir a carreira que ela desejar. 

A própria Meri já atuou em diversas frentes antes de se tornar pioneira entre as motoristas de ônibus da cidade. Antes, trabalhou como promotora, frentista, mototaxista, costureira e com contabilidade.

“Meu conselho é pensar positivo. ´Eu posso. Eu consigo’. Quando alguém lhe der algum conselho sobre como trabalhar, que elas peguem só o que for útil, e o resto, joguem fora”, ensina.

>> Confira a sequência desta reportagem: “Vencendo o machismo com sororidade e ajuda dos passageiros”

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