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Câncer representa 8% das mortes de crianças e jovens

Os tipos mais comuns de câncer até os 19 anos de idade são as leucemias, os tumores no Sistema Nervoso Central e os linfomas

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), entre crianças e jovens, o câncer é mais raro do que em adultos. Apesar disso, a doença é responsável por 8% das mortes de crianças e jovens entre um e 19 anos de idade.

Os tipos mais comuns de câncer entre crianças e jovens são as leucemias, os tumores no Sistema Nervoso Central e os linfomas. O Painel de Oncologia do DataSus registrou em 2021, até o dia 15 de novembro, o total de 511 casos de câncer em crianças e jovens até 19 anos de idade em Santa Catarina.

Campanha 15 de fevereiro sobre o Câncer Infantil. Crédito da imagem: Shutterstock/ Divulgação/ Nosso TAL

Entre estes casos, está o do João Miguel Cavalheiro da Silva, de dois anos e sete meses de idade. Quando tinha um ano de vida, ele foi diagnosticado com um tumor maligno no fígado. O hepatoblastoma depois se tornou metastático no pulmão e no peritônio.

A doença foi descoberta em 2020. Segundo os médicos, o tipo de câncer de João é raro. Quando aparece, costuma afetar meninos de até três anos de idade. Izabelle Silva Medeiros, 22 anos, mãe de João, explica como foi para a família receber o diagnóstico de câncer do menino.

“Foi um baque de imediato, mas somos muito apegados à nossa crença e sempre tratamos o João Miguel como um menino saudável. Para nós, ele só tem câncer quando está no hospital. Em casa cuidamos e criamos ele como uma criança normal.”

Izabelle Silva Medeiros

Helena Schtigler, hoje com seis anos de idade, foi diagnosticada com um tumor nos tecidos moles, o Rabdomiossarcoma Alveolar, quando tinha quatro anos. Quando recebeu o diagnóstico, a doença já estava no estágio 4, que é quando o tumor se desenvolve em qualquer local, tem qualquer tamanho e acaba se disseminado para outros órgãos, como os pulmões, o fígado, os ossos ou a medula óssea. A mãe de Helena, Juciliane Schtigler, conta como recebeu a notícia da doença da filha:

“O ano de 2020 foi muito pesado, porque a gente nunca esperava isso. A gente via ela correr o dia todo, ir para a escola, uma criança cheia de vida, cheia de alegria e, de repente, ser confinada dentro de um hospital… é muito pesado para a gente. É muito sofrido como mãe, como pai… até para as irmãs dela foi um baque muito grande.”

Juciliane Schtigler

Estatísticas do Inca em 2020 apontavam para uma estimativa de novos casos de 8.460 entre crianças e jovens até os 19 anos de idade, sendo 4.310 do sexo masculino 4.150 do sexo feminino. Em relação às mortes nesta faixa etária, o Atlas de Mortalidade por Câncer-SIM mostra que em 2019 morreram 2.554 crianças e jovens no país, sendo 1.423 do sexo masculino e 1.131 do sexo feminino.

Sinais e sintomas

Através da iniciativa Global contra o Câncer Infantil, a Organização Mundial da Saúde (OMS) busca tornar esse tipo de doença prioridade nacional e global. O objetivo da ação é acabar com o sofrimento das crianças e alcançar em torno de 60% de sobrevivência à todos do público infanto-juvenil que são diagnosticados.

Fonte dos dados: Ministério da Saúde. Créditos na arte: Camila Sepka/ Nosso TAL

A mãe do João Miguel comenta que os primeiros sintomas que o filho sentiu foram anemia e abdômen muito rígido. A mãe da Helena descobriu uma bola logo abaixo do cotovelo, no braço esquerdo da menina. Depois da descoberta, Helena foi levada para o médico, que confirmou o diagnóstico de câncer.

O Instituto Nacional do Câncer alerta os pais a ficarem atentos aos pequenos sinais de anormalidade que possam aparecer nos filhos. Caso isso ocorra, as crianças devem ser levadas ao pediatra para uma avaliação.

Entre esses sinais de alerta estão: palidez; hematomas ou sangramento; dor óssea; caroços ou inchaços, especialmente se indolores e sem febre, ou outros sinais de infecção; perda de peso inexplicável ou febre; tosse persistente ou falta de ar; alterações oculares; pupila branca; perda visual ou inchaço e hematomas ao redor dos olhos; inchaço abdominal; dores de cabeça, especialmente se for incomum, persistente ou grave; vômitos, principalmente se for pela manhã, piorando conforme o resto do dia.

Outros sintomas são as dores nos membros; inchaço sem trauma ou sinais de infecção; fadiga; mudanças no comportamento como isolamento e, por fim, tontura; perda de equilíbrio ou coordenação. Se algum destes sinais estiverem presentes e persistentes, o indicado é procurar um médico e fazer uma avaliação completa.

Diagnóstico e tratamento

O câncer em adultos, muitas vezes, está ligado ao envelhecimento, ao uso de álcool ou de cigarros. Mas em crianças e jovens as características da doença são diferentes. Isso porque as células neste público acabam sofrendo uma mutação genética e não conseguem amadurecer como deveriam, ficando com as características da célula embrionária.

O médico especialista em radioterapia Renato Doneda Filho explica de que forma o câncer acontece:

Trecho da entrevista com o radiologista Renato Doneda Filho. Entrevista: Camila Sepka. Câmera: Marta Pego/Nosso TAL

Tendo o diagnóstico correto da doença, médico, paciente e família começam o tratamento, que deve ser feito em lugar especializado. Esse tratamento pode incluir quimioterapia, cirurgia e radioterapia. Cada modalidade de tratamento é aplicada conforme o tipo de câncer. Geralmente, esses tratamentos são feitos por equipes multidisciplinares, envolvendo o trabalho de diversos especialistas, como: oncologistas pediatras, cirurgiões pediatras, radio terapeutas, radiologistas, enfermeiros, patologistas, psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais e farmacêuticos.

João Miguel passou por seis ciclos de quimioterapia antes de fazer um transplante hepático. O transplante foi necessário pelo tratamento anterior não ter surtido o efeito desejado. Atualmente, ele está fazendo um tratamento alternativo, chamado radiestésica. Segundo a mãe do João, esse tratamento é a busca da família por uma alternativa de cura, já que a medicina tradicional não consegue ajudá-lo.

Helena, por sua vez, teve que passar por oito ciclos de cinco dias de quimioterapia cada. Nestes períodos, ela e a família ficavam uma semana por mês no hospital. Quando este processo terminou, Helena teve que fazer 18 ciclos de radioterapia no braço e mais 15 na coluna. Hoje, ela está melhor e já voltou a estudar.

Segundo os familiares e especialistas, é importante, durante este processo de tratamento, lidar com os aspectos sociais das doenças. Ou seja, as crianças e os adolescentes devem receber atenção integral dos familiares, como foi o caso do João Miguel, que mesmo com a doença consegue levar uma vida normal. 

“Quem vê ele, nem sonha que ele tem câncer. Ainda mais agora, com cabelinho e sobrancelha. Ele é muito ativo, falante e ama brincar, correr e comer”, comenta Izabelle, a mãe do João Miguel.

Como lidar com a doença

Segundo a Associação Brasileira de Ajuda à Criança com Câncer, quando a doença é descoberta logo no início, as chances de cura são maiores, ficando em torno de 80%. Quando uma criança é diagnóstica com câncer, a rotina de toda a família muda. Conforme o tratamento vai avançando, esse processo também sofre alterações.

Na casa do João Miguel, por exemplo, a rotina passou a ser corrida. “Antes a gente tinha que ir toda semana fazer o procedimento. Chegávamos a ir até todo dia, mas agora ele está indo uma vez por mês com as oncologistas e com a parte que cuida do fígado dele, as hepatologistas”, explica Izabelle.

Desde o momento do diagnóstico e até o tratamento, a família deve ser forte para poder lidar com toda a situação, já que ninguém espera que uma criança venha a desenvolver um câncer. Renato Doneda Filho, médico e especialista em radioterapia, comenta sobre a raridade do câncer infantil:

Trecho da entrevista feita com o médico Renato Doneda Filho. Entrevista: Camila Sepka. Câmera: Marta Pego/Nosso TAL

Como contar para uma criança que ela tem câncer?

Apesar de ser difícil lidar com a doença, é importante explicar para a criança sobre o processo de tratamento e diagnóstico. Para fazer isso, especialistas recomendam a utilização de linguagem simples durante a conversa e responder as dúvidas que a criança ou jovem possam ter.

Essas são soluções que auxiliam no entendimento do assunto. Mesmo que não se saibam todas as respostas, o ideal é explicar toda a situação para que a criança não comesse a imaginar situações e acabe ficando com medo e insegura.

Izabelle Silva Medeiros, a mãe do João Miguel, afirma que o filho ainda não sabe sobre a doença. Ela comenta que, por ele ser muito novo e por não conseguir entender de fato o que está acontecendo com ele, os pais decidiram adiar a conversa sobre a doença.

Mas existe alguma idade considerada mais adequada para contar para uma criança que ela tem câncer? De acordo com o Instituto Oncoguia, a criança com três anos de idade já deve saber a respeito da doença, mesmo que para ela seja difícil compreender o que esteja acontecendo, a utilização de livros ilustrados ou bonecos podem auxiliar nesta situação, além da utilização de uma linguagem simples.

Campanhas e tipos de câncer mais comuns no Brasil

Assim como existem campanhas para combater o câncer de mama e o câncer de próstata, no dia 15 de fevereiro de 2002 foi criada pela Childhood Cancer Internacional (CCI) a campanha global para conscientizar sobre o câncer infantil e ajudar tanto crianças como adolescentes que apresentam esta doença. No Brasil, o dia 23 de novembro é o Dia Nacional de Enfrentamento ao Câncer Infantil.

O Instituto Nacional de Câncer aponta que, de modo geral, no Brasil o tipo mais frequente de câncer é o de pele não melanoma. Esse tipo de câncer corresponde a cerca de 30% dos tumores malignos registrados no país. Entre os tumores de pele, o câncer não melanoma é o mais frequente e de menor mortalidade. Mas, caso não for tratado da forma correta e ideal, esse tipo de câncer pode gerar consequências graves, como mutilações expressivas.

Confira, nesta reportagem em vídeo, outras histórias de pessoas que enfrentaram o câncer:

Repórter: Camila Sepka.

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