Salvas pela união entre força policial e tecnologia 

Função em aplicativo da Polícia Militar em Santa Catarina já socorreu 205 mulheres vítimas de violência doméstica desde que foi criada

Uma mulher está em seu apartamento quando o ex-companheiro invade o local e a ameaça de morte. Uma história real, como tantas outras que têm finais trágicos, mas que teve um final feliz graças à união entre a polícia e a tecnologia. Assim que a moradora de Blumenau acionou o botão do pânico no aplicativo PMSC Cidadão, o agressor fugiu do local. Não demorou muito para que a viatura mais próxima chegasse ao apartamento. Nesse caso, a polícia fez rondas e o homem não foi localizado, e a ação não terminou em prisão.

O aplicativo da PM é um aliado para mulheres que já foram vítimas de violência e têm medidas protetivas contra seus ex-companheiros. Já são 205 acionamentos no estado de Santa Catarina desde que a função foi criada, no final de 2019, e 77 deles apenas neste ano.

Em Blumenau, neste ano foram três chamados até o momento. De acordo com a tenente Karla Medeiros, coordenadora da Rede Catarina em Blumenau, programa de proteção às vítimas de violência doméstica da Polícia Militar, cerca de 500 mulheres com medidas protetivas ativas são acompanhadas na cidade, mas apenas por volta de 30% delas têm o aplicativo instalado no celular.

“É até um apelo nosso, que atentem para a importância dessa ferramenta”, enfatiza.

Segundo a policial, as principais vantagens do uso do aplicativo em relação à tradicional chamada telefônica para o 190 são a rapidez no atendimento, já que a ocorrência aparece na tela do celular como prioridade para a viatura mais próxima, o acompanhamento da localização em tempo real e o fato de o acionamento ser silencioso. Com apenas um clique no celular é mais difícil de o agressor perceber que a polícia foi chamada.

O botão do pânico está disponível em 97 cidades catarinenses. Para ter acesso a essa funcionalidade, é preciso que a mulher possua uma medida protetiva, que deve ser solicitada na delegacia de proteção a mulher. A partir da solicitação, a polícia tem 48 horas para enviar o pedido ao judiciário. O juiz tem mais 48 horas para responder ao pedido, e quando ele for aceito, após esse período de no máximo quatro dias, a medida é enviada para a Polícia Militar, que pode então liberar o acesso ao botão no aplicativo PMSC Cidadão no celular da vítima.

É mais do que apenas apanhar 

Não são apenas as agressões físicas que podem ser denunciadas pelo programa. No total, a Lei Maria da Penha prevê cinco tipos de violência doméstica e familiar contra a mulher: psicológica, moral, sexual, patrimonial e física. Todas elas são passíveis de medidas protetivas e devem ser denunciadas à polícia.

Segundo a tenente Karla, a cada dia a violência psicológica vem superando a física nos atendimentos da Polícia Militar.

Dentro dela se enquadram atos que causam danos emocionais e diminuição da autoestima, prejudicam o desenvolvimento da mulher ou controlam suas ações, crenças e decisões. Exemplos de violência psicológica são ameaças, humilhação, isolamento, perseguição e chantagem.

De acordo com a psicóloga Catarina Gewehr, quanto mais presentes são as violências psicológica, moral e patrimonial, mais chances há de a violência física acontecer.

“A violência doméstica não é necessariamente física no primeiro momento. Ela pode começar com uma falta de atenção às necessidades de autoestima, de reconhecimento e da saúde da mulher. A palavra negligência eu acho que é a primeira referência para se perceber que ela está sendo vítima de uma condição de violência doméstica. É extremamente importante que a mulher se pergunte se está tudo bem com ela”, explica a psicóloga.

Catarina ressalta a importância de campanhas que sinalizem sobre os tipos de violência doméstica, já que a mulher que é vítima nem sempre percebe por conta própria.

Aplicativo traz maior rapidez ao atendimento. Crédito da imagem: PMSC

Como funciona o aplicativo

Para instalar e usar o aplicativo é preciso possuir um dispositivo móvel com sistemas operacionais Android ou IOS e internet. É necessário fazer um cadastro com CPF e outros dados complementares, além de aceitar a política de privacidade, que afirma que os dados serão usados apenas pela Polícia Militar para atendimento do cidadão.

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