Instituto Anjos do Mar Brasil busca soluções para diminuir a morte de animais marinhos

Ações buscam alterar o cenário vivenciado no litoral catarinense, onde, apenas em 2021, foi registrada a morte de 55 baleias e de diversos golfinhos e pinguins

O Instituto Anjos do Mar Brasil (IAMB) está promovendo ações de prevenção e de combate contra a alta mortalidade de animais marinhos no litoral catarinense. Apenas em 2021, até o início do mês de outubro, foram encontradas 55 baleias mortas na orla de Santa Catarina, além de outros animais, como golfinhos e pinguins. A causa principal, segundo os pesquisadores do instituto, são as redes de pesca fixas colocadas ao longo da costa de maneira ilegal.

Baleia presa na rede de pesca. Créditos da foto: Arquivo pessoal Marcelo Ulyssea/Divulgação/Nosso TAL

De acordo com o coordenador do projeto realizado pelo instituto, Marcelo Ulyssea, do total de mortes de baleias registrados em 2021, 24 aconteceram porque os animais ficaram presos em redes de pesca ilegais. Em todo o litoral brasileiro, apenas em 2021, 160 baleias foram encontradas mortas, a maioria da espécie jubarte.

As mudanças climáticas têm contribuído para que os animais marinhos se aproximem cada vez mais da costa. Em entrevista ao portal G1, pesquisadores do projeto Baleia Jubarte explicam que o motivo das baleias estarem aparecendo mais perto das costas brasileiras seja a procura por alimento.

Isso porque o alimento desta espécie, chamado de krill, nome que se dá aos crustáceos da Antártica, começou a faltar, fazendo com que as baleias tenham que procurar mais alimentos no caminho entre a Antártida e o local em que elas costumam acasalar, que é a Bahia.

Para mudar o cenário atual, o Coletivo Mar de Ideias e o IAMB solicitaram uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Itajaí com o objetivo de discutir soluções para o problema. A proposta foi aprovada e, apesar de ainda não ter data definida para ser realizada, a audiência pública deve contar com participantes do poder público, dos órgãos ambientais e de entidades ligadas à pesca.

O IAMB realiza o monitoramento e o resgate dos animais marinhos. Porém, o intuito da organização é acabar com o massacre dos animais ainda nesta temporada migratória.  “O ideal é que aumente a fiscalização na faixa costeira e que os pescadores tenham alternativas para garantir o seu sustento e se adequar à lei ou substituir por um método mais sustentável”, explica Ulyssea.

Conheça mais sobre o instituto

O IAMB surgiu em 2007 com o objetivo de preencher lacunas nas áreas de segurança e educação náutica, como salvamento náutico, ações de defesa civil em naufrágio e ações voltadas ao resgate de animais marinhos e monitoramento embarcado.

De acordo com Marcelo Ulyssea, além do monitoramento das praias, são desenvolvidos outros projetos dentro do instituto. Como, por exemplo, o Barco Escola Anjos do Mar, projeto que recebe crianças em situação de vulnerabilidade social para a formação de Anjos Guardiões do Mar Mirins.

Dentro do projeto desenvolvido pelo IAMB são aplicados módulos de sustentabilidade socioambiental, como os que abordam a proteção de espécies marinhas e costeiras, embarcações e legislação pesqueira, esportes aquáticos e náutica a motor, origem e destino do lixo marinho dentro do contexto Mares Limpos da ONU, segurança náutica e prevenção de afogamentos.

O instituto atua como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), tendo sido certificado pelo Ministério da Justiça com a missão de salvar vidas e proteger os oceanos. Por ter estas características, o IAMB precisa de doações para manter os seus projetos. 

Atualmente está sendo feita uma vaquinha on-line para a realização de 12 embarques mensais para a fiscalização de redes ilegais de pesca entre Barra Velha e Florianópolis. O IAMB lançou a campanha nas redes sociais e precisa do apoio da população para diminuir a mortalidade de baleias e outros animais marinhos.

Veja algumas fotos do IAMB em ação

Crédito das fotos: Arquivo pessoal Marcelo Ulyssea/Divulgação/Nosso TAL

Repórter: Joyce Moser.
Editor: Emanuel Pamplona Reinert.

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