Isolamento social diminui testagem de HIV

Redução do número de pessoas que fizeram o teste para HIV em Blumenau preocupa infectologistas 

Devido a pandemia do Covid-19, a população mundial precisou mudar seus hábitos e se adequar para controlar a disseminação do vírus. Em consequência disso, outras doenças ficaram esquecidas durante este período. É o caso da AIDS, causada pelo vírus do HIV, em que as células de defesa do sistema imunológico são atacadas, doença em que houve diminuição dos testes. 

O infectologista Dr. Ivan Leal Moura Júnior, afirma que, devido ao isolamento social a população não realizou os testes de HIV. Por isso, os novos casos estão em estágio mais avançado, já em quadro de AIDS.  “O atraso no tratamento pode levar a sequelas de outras doenças e até a morte”, afirma o médico. 

Dados disponibilizados pelo Centro Especializado em Diagnóstico, Assistência e Prevenção – CEDAP, mostram que as testagens de HIV, em Blumenau, caíram pela metade durante o período da pandemia. 

Entenda como acontece a contaminação pelo vírus do HIV…  

Além disso, no CEDAP, houve diminuição de procura para retirada de medicamentos, que aconteceu devido as dificuldades de locomoção e necessidade de isolamento, segundo o Dr. Ivan. O infectologista explica que o HIV não tem cura e o tratamento é fundamental porque o paciente tem melhor qualidade de vida, previne a transmissão – o que diminui o número de novos casos – e evita que evolua até a AIDS ou uma série de manifestação de doenças, pois o HIV torna o organismo incapaz de lutar contra outras infecções ou doenças.   

“O tratamento se dá pelo uso de medicações que impedem a replicação viral, diminuindo a população de vírus e suas consequências. Os medicamentos são conhecidos como antirretrovirais e são divididos em classes”, acrescenta.  

Importância do tratamento psicológico   

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS – UNAIDS realizou uma pesquisa sobre saúde mental durante a pandemia das pessoas que vivem com HIV. Entre as 572 pessoas que responderam à pesquisa, 50,4% acreditavam necessitar de apoio psicológico para lidar com os transtornos gerados pela pandemia e 66,7% disseram ter sentido alterações no seu humor.  

A psicóloga Silene Luzia Müller Vieira, realiza atendimento clínico aos usuários que possuem diagnóstico de HIV, Hepatite B e C e Tuberculose, no CEDAP. Ela faz o acolhimento pós diagnóstico, o encaminhamento para dar início ao tratamento e atua em projetos e campanhas de prevenção.  

“A maioria dos nossos usuários sente dificuldade com o diagnóstico de HIV. Eles citam que ficam com medo de serem discriminados, medo dos possíveis prejuízos na área profissional, medo de morrerem logo, de que a vida vai mudar, que a medicação vai causar muitos efeitos colaterais, que não vão mais poder se relacionar, temem por ter que contar para as pessoas com as quais estão se relacionando, se culpam por não terem se protegido e sentem medo da rejeição.  O processo envolve uma escuta sensível, acolhedora, sem julgamento”, conta a psicóloga.  

Foto: Informe Blumenau – Centro Especializado em Diagnóstico, Assistência e Prevenção 

Silene conta que durante a pandemia o número de atendimentos em psicologia clínica foi reduzido aproximadamente em 30% comparando 2019 e 2020. Para a psicóloga, é um trabalho muito complexo e dinâmico que oportuniza muitos aprendizados, crescimento pessoal e profissional. 

“São inúmeros compartilhamentos de histórias de vidas cheias de riqueza de vivências.  Sempre é impactante quando a história envolve a contaminação de crianças, apesar de raros, alguns casos ainda acontecem e isso emociona toda e equipe de profissionais, pois sabemos que poderia ter sido evitado. Também me emocionou acompanhar um caso de uma moça jovem com déficit cognitivo que se negou a tomar a medicação até morrer. Outro caso [impactante] foi e de um rapaz jovem, muito querido, que procrastinou o início do tratamento por sentir-se saudável e quando buscou ajuda estava com um câncer oportunista. Ele lutou muito para viver, se submeteu a diversas quimioterapias, fez o tratamento do HIV, mas não resistiu.”, relembra a psicóloga

Os atendimentos no CEDAP durante o período de isolamento social foram mantidos, mas eram realizados em pacientes de primeira vez ou intercorrências e teleatendimentos. Atualmente, o atendimento está normalizado, seguindo todos os protocolos de segurança exigidos. Para fazer o teste ou agendar atendimento no CEDAP os pacientes devem entrar em contato pelo WhatsApp através do número (47) 3381-6166. 

Como é feita a testagem do HIV? 

O infectologista, Dr. Ivan reforça a importância da testagem, porque os primeiros sintomas de infecção podem acontecer até 8 semanas após o contágio, parecendo uma gripe. Após esse período inicial infecção pelo HIV é basicamente silenciosa, demorando anos para novos sintomas se manifestarem.  

“A testagem pode ser através de teste rápido no qual se utilizam gotas de sangue obtidas através da polpa digital e se obtém o resultado em quinze minutos. Essa forma de testagem é capaz de detectar anticorpos a partir de trigésimo dia após a infecção”, esclarece.   

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