Pesquisa aponta que 80% da população se tornou mais ansiosa durante a pandemia

Entre os mais afetados estão as mulheres, os jovens, os com baixa renda e escolaridade e os que já tinham alguma doença psiquiátrica

Giulia Machado

Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) nos meses de maio, junho e julho de 2020 mostra que durante a pandemia de COVID-19 as pessoas desenvolveram ou aumentaram sintomas de estresse, ansiedade e depressão. Foram ouvidas 1.996 pessoas maiores de 18 anos de idade, das quais 80% demonstraram sintomas moderados a graves de ansiedade e 68% de depressão. 

Esse estudo foi o primeiro no país sobre sintomas psiquiátricos em meio à pandemia publicado em revista internacional, a Journal of Psychiatric Research. Há ainda a possibilidade de uma nova pesquisa ser realizada pela universidade quando já existir vacina contra a COVID-19, para acompanhar como esse quadro deve evoluir durante e após a pandemia, já que esses sintomas podem persistir. 

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A pesquisa ainda mostrou que 63% das pessoas sentem algum sintoma físico, como dor ou mal-estar gástrico resultante de ansiedade, 50% tiveram alteração no sono e 65% tem sentimento de raiva. 

Para a doutora em Psicologia Catarina Gewehr, uma explicação para as pessoas estarem se sentindo assim seria o modo como o vírus vem sendo tratado no país. “Nós temos na psicologia social uma demonstração muito clara do que acontece quando um governante desacredita da ciência, desacredita do poder que os estudos da epidemiologia e infectologia proporcionam”, explica.


“O que está acontecendo é uma grande incerteza, patrocinada infelizmente por pessoas que não tem convicção no progresso da ciência e por isso deflagram o sentimento de oposição a quem leva a ciência a sério e está tomando todos os cuidados. Existem desgastes de lado a lado. Infelizmente, com isso, todo mundo perde”, complementa. 

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Em setembro de 2020, dados disponibilizados pelo Google ao Estadão mostraram que as buscas por termos relacionados a transtornos mentais no país aumentaram em 98% durante o ano de 2020, em comparação à média dos dez anos anteriores. Só a pergunta “como lidar com a ansiedade” obteve um crescimento de 33% em relação ao ano de 2019. 

Como lidar com os problemas psiquiátricos agravados pela pandemia

Segundo Catarina, o que pode ser feito para lidar com o estresse neste momento é ter clareza do que diz a ciência e aprender a negociar com as próprias frustrações. “A nossa vida não está no mundo para ser satisfeita exatamente naquilo que a gente quer, do jeito que a gente quer, quando e como a gente quer”, explica. Para ela, as pessoas precisam entender que a frustração é parte do ciclo de vivência. 

“O modo de enfrentar toda essa situação turbulenta em que nós nos encontramos basicamente tem relação com a auto-regulação, com a capacidade de negociar com as tristezas, com as frustrações, com as melancolias, e a capacidade de esperar o tempo certo para que a gente possa voltar”, aconselha.

De acordo com a diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio, em publicação do site da instituição, os problemas de saúde mental no trabalho têm três pilares: o tempo, o espaço e as condições em que a pessoa atua. Com o home office, se intensificou a ausência de separação entre trabalho e vida pessoal e a combinação de trabalho com atividades domésticas. Além disso, a condição de trabalho remoto nem sempre é a ideal, e pode ser afetada pela desigualdade social.

Onde procurar ajuda 

O Centro de Valorização da Vida (CVV) possui atendimento 24h por dia. Para apoio emocional e prevenção ao suicídio você pode ligar no número 188, ou enviar um e-mail clicando aqui. Você também pode se dirigir ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da sua região. 

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