Hábito da leitura: as transições durante a vida

A leitura se transforma durante os anos; veja como três pessoas em diferentes fases da vida mantêm o hábito da leitura ativo

Maria Luiza de Almeida Küster

Já foi comprovado que a leitura é um dos melhores meios de desenvolvimento, tanto no nível pessoal, quanto no profissional. Muitas pessoas ao longo da vida perdem este hábito por falta de tempo. Mas sempre somos lembrados da importância deste hábito. Entrevistamos três pessoas que estão em diferentes momentos da vida para que elas contassem um pouco sobre como elas desenvolvem sua relação com a literatura.

Tamires Schultz, estudante de Direito, comenta que seu hábito de leitura surgiu aos 13 anos, quando ela leu o livro Crepúsculo. Foi então que ela se apaixonou pela saga e continuou a ler até finalizar todos os livros. Hoje ela procura manter o hábito da leitura ativo, lendo ao menos algumas páginas das obras selecionadas quando possível.

Atualmente ela está apenas fazendo faculdade, então consegue tempo para ler. “Consegui ler um livro de quase 400 páginas em um dia”, comentou. Mesmo com a faculdade, ela colocou a meta de ler ao menos 4 livros por mês.

Divulgação Ana Faust“Eu tive fases. Lia bastante quando estava no ensino médio, (nesta época eu) lia um livro por mês. Lia muito no ônibus, no caminho para a aula e para o trabalho”, conta Ana Faust. Ela trabalha em uma empresa multinacional na cidade de Blumenau.

Após concluir o ensino médio, Ana voltou a ler quando entrou na faculdade. Nesta fase, ela pegava diversos livros na biblioteca da universidade. No ano de 2012 ela concluiu o ensino superior e, então, voltou a perder o hábito da leitura.  

Foi no início de 2020 que ela decidiu voltar a ler. Comprou um Kindle e vários livros. Foi então que ela resolveu entrar em um clube de leituras de livros. “Quando você começa a ler e o outro leitor te reconhece, vira uma bola de neve que você não consegue mais sair, porque sempre tem alguém te falando de um livro maravilhoso e te oferecendo emprestado”, explica.

Desde janeiro e até setembro de 2020, ela já contabiliza 25 livros lidos. Como Ana disse que não estava mais acostumada com a leitura, ela decidiu traçar metas semanais para retomar a frequência de ler. “Como eu tenho a meta traçada isso pra mim vira questão de honra, porque eu sou uma pessoa que trabalha com metas em todas as áreas da vida. Esse é o meu jeito de fazer as coisas”. Mas ela reforça que essa prática não é uma corrida de leitura, porque o importante para ela é ler. “Ler ajuda em tudo, inclusive no gerenciamento do stress”, complementa.

Thais Balestra é mãe de duas meninas: Heloisa, de 7 anos, e Manuella, de 5 anos. Thais explica como influencia as filhas a criarem o hábito da leitura: “Elas têm a própria biblioteca em casa. Tem dias que elas escolhem os próprios livros para leitura e leem para nós (os pais)”.

Segundo ela, Heloisa já pratica a leitura inclusive no idioma inglês, enquanto Manuella ainda não sabe ler, mas explora toda a sua imaginação folheando os livros e criando suas próprias histórias. “A leitura facilitou bastante a alfabetização da Helô”, explica a mãe das meninas.   

Arquivo / Thais Balestra

Segundo reportagem da revista Veja, a editora Intrínseca registrou um aumento de 117% no número de assinantes do seu clube do livro no mês de maio de 2020. A TAG, outro clube de leitura, registrou um aumento de 70% de visitas no site comparado ao um mesmo período de 2019. 

No ano de 2019, o setor editorial teve um crescimento no mercado de 3,3% de vendas comparado ao ano de 2018, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Nielsen. Ainda em 2019 as livrarias ficaram em primeiro lugar na participação nos canais de vendas de livros no país, com 46,59% de participação. Em seguida, em 2º lugar figuraram os distribuidores, com 20,76% do total, e em 3º lugar ficaram as livrarias exclusivamente virtuais, com 10,06%.

Apesar do aumento no interesse pelos clubes de livros na pandemia, há algum tempo o setor livreiro vem passando por diversas turbulências. Entre outros casos, destaque para notícias que revelaram que mesmo grandes empresas do setor, como Cultura e Saraiva, precisaram suspender pagamentos de fornecedores durante a fase de disseminação do novo coronavírus em 2020.

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