Participação feminina na cultura cervejeira

Como é ser mulher e fazer cerveja na Capital Brasileira da Cerveja

Júlia Laurindo

Apesar de ainda não existirem pesquisas ou dados oficiais sobre a participação feminina no ramo cervejeiro, é perceptível a grande diferença da presença das mulheres no mercado. Os homens ainda são a maioria e possuem maior espaço quando se trata do assunto, além do estereótipo de produtor e consumidor ser, ainda, masculino.

Mas, muitas mulheres quebram esse estereótipo e seguem na produção da cerveja. É o caso de Michelle Steffen, de 28 anos. Ela iniciou a produção há 6 anos e sempre foi interessada pela área gastronômica. “O interesse na cerveja surgiu justamente disso, achava incrível a infinidade de estilos existentes e fiquei curiosa em saber como os ingredientes eram misturados para trazer as características de sabor e aroma tão marcantes em cada um deles’’, conta. 

Michelle iniciou sua formação na área com um workshop de produção caseira para entender melhor o processo e depois concluiu um de Off Flavors – curso sobre a análise sensorial da cerveja, que “me permitiu entender um pouco mais dos sabores e aromas indesejados na cerveja, o porque eles surgem e como evitá-los.” 

Apesar de não ter ouvido explicitamente comentários machistas, conta que vinham de forma sutil. “Lá em 2014 quando comecei, nos cursos e até mesmo nas lojas de insumos, o ambiente era predominantemente masculino. Era comum perguntarem mais de uma vez: mas é você mesmo que faz tudo?”. 

Roseméri Pessatti também é cervejeira, acompanhou o marido em um curso prático de cervejeiro de apenas um dia, o casal então viu que era possível fazer cerveja em casa. Compraram os equipamentos e insumos em 2015 e começaram a produção. Com o passar do tempo, perceberam que não bastava apenas fazer cerveja que gostassem mas também queriam melhorar a qualidade. “Foi então que decidi fazer um curso de Homebrewer (cervejeiro caseiro) na Escola Superior de Malte e Cerveja, aqui mesmo em Blumenau. O curso teve duração de seis meses e misturava teoria e prática. Também fiz um curso pelo Pronatec-Produtor de Cervejas. No início de 2019 fiz um curso de Sommelier de Cerveja, que ensina, entre outras coisas, harmonização de pratos de comida e cervejas.” Roseméri conta também sobre suas premiações em concursos que participou junto ao marido “ganhamos vários certificados com pontuações ótimas, um troféu de um concurso local e uma medalha de ouro no Concurso da Acerva Catarinense, com uma cerveja estilo Witbier.”

Michelle e Roseméri participam da Confraria Confridas, grupo de mulheres cervejeiras de Blumenau e região que troca ideias, experiências e também, sempre que possível, apreciam cervejas artesanais. 

Dados oficiais do mercado cervejeiro

Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento mostram que em 2019, 320 novas fábricas abriram no país, chegando ao total de 1171 cervejarias registradas no Brasil. Destas, 142 estão em Santa Catarina, o estado fica em quarta posição no país dentre os maiores produtores. Blumenau e Joinville, contam com 10 marcas, ficando atrás somente de Criciúma e São José. Além disso, Blumenau conta com mais de 120 produtores artesanais caseiros de cerveja

O Acre é o único estado que não possui cervejarias registradas, São Paulo passou o Rido Grande do Sul no último levantamento feito pela Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e agora é o estado com maior número de cervejarias. As regiões com maior número de registr são Sudeste e Sul. https://flo.uri.sh/visualisation/2950927/embed?auto=1A Flourish map

A importância da cerveja para Blumenau

A cultura cervejeira é de extrema importância para Blumenau, a produção na cidade começou quando ainda era uma colônia alemã, no ano de 1860, com a Cervejaria Hosang. A cultura de apreciação e produção da cerveja estão presentes nos principais eventos turísticos do município. É em Blumenau que acontece a Oktoberfest, maior festa alemã das américas e o Festival Brasileiro da Cerveja,  dentre os mais importantes eventos. A Escola Superior de Malte, primeira da América latina que abrange ensino, pesquisa e extensão sobre a bebida, também fica situada em Blumenau.

Os desfiles temáticos na Rua XV de Novembro são um dos atrativos da Oktoberfest. Divulgação Oktoberfest Blumenau OficialPor conta disso, desde março de 2017, Blumenau é considerada a Capital Brasileira da Cerveja. O projeto de lei foi oficializado pelo então presidente Michel Temer, o título é simbólico, mas de extrema relevância para a economia da cidade, que tem as festas temáticas como fonte de grande renda e geração de empregos diretos e indiretos. É o caso da já citada Oktoberfest, que acontece na cidade desde 1984. Conhecida internacionalmente pela gastronomia, trajes típicos, desfiles alegóricos e claro, cerveja gelada, atrai milhares de turistas todos os anos e gera empregos por toda a cidade. 

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