O Fantasma da Rua Ângelo Dias Ou Será Que Não?

A rua no centro de Blumenau possui lenda urbana envolvendo suposto fantasma desde 1920

Júlia Henn e Michelle Sanseverino

Blumenau é uma cidade cercada por lendas e mistérios, vários deles envolvendo história, política e colonialismo. Entretanto, existem também as histórias de fantasmas, e a lenda do Fantasma da Rua Ângelo Dias se encaixa nessa categoria.

De acordo com o jornalista Carlos Braga Mueller, o nome correto da história aqui investigada seria “Fantasma da Travessa 4 de Fevereiro”, afinal, era esse o nome da rua hoje conhecida como Ângelo Dias, já que teria sido originalmente batizada em homenagem ao dia em que a Colônia Blumenau tornou-se município, no ano de 1880. Documentos encontrados no Arquivo Histórico da cidade também citam esse nome e complementam que, por décadas, a rua foi chamada de Gespenster Strasse, que pode ser traduzido do alemão como Rua do Fantasma. O nome atual,  Ângelo Dias, é em homenagem ao canoeiro que trouxe o Dr. Hermann Otto Blumenau e Ferdinand Hackradt, em 1848. Passou a se chamar desta forma, através de uma lei aprovada na Câmara Municipal.

Para aqueles que não estão familiarizados com a lenda em questão, segue breve relato: por volta dos anos de 1920 ou 1930, sussurros começaram a nascer nas ruas da cidade, cochichos compartilhados em mesas de bar, todos clamando em vozes baixas que algo estranho habitava a Travessa 4 de Fevereiro. Habitava ou, ao menos, aparecia durante à noite. As histórias iam de assaltante até lobisomem, segundo conta Braga Mueller. O rumor mais comum contava que, tarde da noite, já passada a madrugada, um vulto era frequentemente visto pela localidade, andando sorrateiramente e solitário, desaparecendo pelos fundos da ruela.

A lenda em si para por aí, mas sua história de origem não. Braga Mueller conta que, intrigado, o povo blumenauense decidiu ficar à espreita para descobrir quais seriam o nome e face do protagonista desta história; porém, há divergências sobre qual seria a verdadeira identidade do “fantasma”; um conhecido da sociedade ou um sacerdote. Não restam dúvidas é de que o fantasma era um homem encapuzado, de grande relevância social para a época, que visitava uma pessoa que morava na Travessa 4 de Fevereiro. Para manter segredo, suas visitas aconteciam às altas horas da madrugada, instigando a imaginação daqueles mais impressionáveis a teorizar sobre criaturas sobrenaturais. 

Após a verdade ter sido descoberta, foi então que a lenda ganhou mais força, afinal, não se poderia permitir a exposição de um cidadão tão relevante para a sociedade puritana de antigamente. Os relatos de natureza sobrenatural foram incentivados e, a verdade, rápida e eficientemente enterrada. 

Como muitas lendas, o lado real da história se perdeu com o tempo. Hoje, poucos conhecem a história ficcional, muito menos a real. A rua Ângelo Dias se tornou uma via comercial com suas lojas, consultórios e prédios. Muitas das pessoas que vivem e trabalham no local desconhecem a história do Fantasma da Rua Ângelo Dias. Quando perguntadas se já ouviram falar sobre o caso, negavam. 

São histórias como essa que mostram que, frequentemente, onde há fumaça, há fogo. E, quando questionado sobre o que, afinal, faz de uma história, uma lenda, Carlos Braga Mueller responde: “Quando a lenda supera em espetaculosidade a realidade, conta-se a lenda!” 

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