Cobrança e pressão são principais queixas de estudantes brasileiros

Segundo dados coletados em 2015 pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – PISA, o Brasil está em segundo lugar como o país onde os estudantes mais se declaram ansiosos e pressionados antes de uma prova.

Yasmim Eble

O final do ano para grande parte dos jovens brasileiros simboliza a chegada de grandes decisões sobre o futuro. Escolher qual carreira seguir mesmo com pouca idade pode ser uma tarefa difícil, no entanto, para aquele que já sabe qual é a sua vocação, a principal etapa são as provas de admissão em faculdades e universidades de todo o país. 

Ana Carolina Pinheiro dos Santos, de 17 anos, prestou o Enem e o vestibular para a PUC-Minas e está se preparando para a realização do vestibular da UFMG. “Para realizar essas provas eu fiz um curso preparatório que a minha escola disponibilizou para os alunos do terceiro ano e também estudei sozinha durante o ano”, comenta Ana Carolina que tem como meta fazer fonoaudiologia pela UFMG. No entanto, a estudante relata que mesmo com o preparatório como incentivo, teve problemas por conta da cobrança e da pressão feita pelo colégio. “Sempre ouvíamos os professores falando que apenas estudantes de “verdade” passariam em uma universidade boa”, relata Ana Carolina. 

Esse, porém, não é um problema encontrado apenas na escola de Ana Carolina.  Segundo dados coletados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – PISA em pesquisa realizada em 2015 e divulgada no final de 2016, o Brasil está em segundo lugar como o país onde os estudantes mais se declaram ansiosos e pressionados antes de uma prova. Com 81%, o país apenas perde para a Costa Rica. Os principais motivos para a ansiedade dos estudantes são a cobrança por resultados melhores e o medo de tirar notas ruins.

Para Amanda Marilia S. P. Leite, psicóloga e doutorando em Filosofia da Psicanálise, o principal papel do professor e dos pais dos alunos neste momento é reconhecer que cada aluno tem o seu tempo e sua singularidade. “Os professores e pais precisam se dispor a escutar o aluno, suas dificuldades e queixas, e ter um diálogo sem julgamentos com o jovem”, comenta Amanda que também é professora substituta dos cursos de Psicologia, Nutrição e Farmácia da Universidade Regional de Blumenau – FURB. Não depositar os seus sonhos e anseios também é uma dica dada pela psicóloga para os pais dos vestibulandos. 

O que o estudante pode fazer? 

Amanda Leite recomenda que os estudantes tentem diminuir a tensão pré prova com atividades diferentes e reconhecendo os objetivos concluídos. “Reconhecer ganhos diários nesse processo é essencial e devem ser comemorados. Apostar em si mesmo sempre ajuda”, explica à psicóloga. “Não existe segredo para passar em uma prova, o resultado é consequência de dedicação, autopercepção e autocuidado”, acrescenta.

A psicóloga acredita que quando o estudante conhece o seu próprio funcionamento, é possível perceber se a mente e o copo estão trabalhando de forma diferente. “E nos primeiros sinais atenuantes de algum transtorno como ansiedade, a busca por um profissional da psicologia ou médico é fundamental para o enfrentamento desse processo”, finaliza Amanda. 

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