A violação de privacidade do Facebook e o perigo das redes sociais

Transparência é essencial nas redes sociais, mas isso foi percebido tarde demais

Ingrid Leonel

Grande parte da população está inserida no mundo virtual. É comum ver postagens de usuários no Instagram e Facebook marcando a localização, exibindo o nome do local em que a pessoa se encontra, são feitos também stories expondo o que exatamente o usuário está fazendo naquele momento. As Redes Sociais disponibilizam diversas facilidades e oportunidades que vieram acompanhadas dessa tecnologia, mas também existem perigos relacionados ao seu uso.

Neste primeiro trimestre de 2019 o Facebook removeu 2,2 bilhões de perfis falsos, desde que começaram a enfrentar tumultos referentes á violação de privacidade e vazamento de dados de usuários, desse modo, este número é um recorde devido aos escândalos ligados a maior rede social do mundo. O Professor da Universidade de Navarra, Ramón Salaverría, explica algumas das soluções que podem ser tomadas para combater o que vem acontecendo na cena midiática, especializado em investigação sobre Jornalismo Cibernético e Mídia Digital, ele conta um pouco a respeito desta questão.

Segundo o professor, o próprio Facebook está atualmente buscando resolver este problema de contas falsas internamente, tendo em vista também todo o modelo de manipulação de informação que veio a público no primeiro semestre desse ano . Para ele, é muito preocupante que medidas tenham sido tomadas apenas após as demandas do público. “Depois de todo o modelo de manipulação de informação que foi verificado nas redes, a comissão europeia estabeleceu uma série de critérios muito exigentes para permitir que as mídias, e neste caso, as redes sociais, pudessem seguir trabalhando na Europa”, diz Ramón, que complementa dizendo que também devem ser mais responsáveis da informação que circula.

Professor da Universidade de Navarra, Ramón Salaverría
Professor da Universidade de Navarra, Ramón Salaverría. Crédito: Divulgação

“O Facebook fez um relatório informando essa quantidade assustadora de perfis que haviam sido removidos. Isso tem um componente tecnológico e também, legal. Porque a comissão europeia estabeleceu uma série de normas que devem ser cumpridas, e se não acontecer isso não irá permitir que este tipo de plataforma siga trabalhando na Europa”, diz o professor. Ramón também fala sobre um ponto muito importante para ele, a alfabetização midiática, “precisamos formar os cidadãos para que sejam capazes de identificar quando uma informação não deve ser confiável e compartilhada. O grande problema que está acontecendo são os próprios cidadãos que contribuem espalhando estes tipos de equívocos”

A tecnologia sempre foi um fator para ampliar e desenvolver novos territórios para o Jornalismo, contudo, existem riscos para quem usufrui destes meios, como explica o professor Luiz Carlos Pinto da Costa Junior, da Universidade Católica de Pernambuco. “Desde o escândalo da Cambridge Analytica, passou-se a indicar que as redes sociais funcionam captando informações pessoais de grandes contingentes populacionais. Essas informações servem para robustecer campanhas comerciais e, em regimes totalitários, a vigiar e punir cidadãos. Os principais riscos objetivos são, portanto, relativos a perda de privacidade e liberdade de expressão”.

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