Grafite: da paisagem urbana para o interior das escolas

O grafite torna-se uma alternativa educacional e decorativa em instituições de ensino em Blumenau

Mayara Cristina Korte

O grafite que transforma os espaços públicos de Blumenau e dá vida ao cenário urbano, agora transpassa as paredes da cidade e entra nas escolas e nos Centros de Educação Infantil (CEIs). Essa forma de arte alia-se às instituições de ensino como forma de decorar, criar um ambiente atrativo e colaborar na educação dos alunos.

Com diversas técnicas e estilos que buscam expressar opiniões e aspectos da sociedade, o grafite é uma arte que essencialmente transforma a rua em galeria. Essa forma de expressão artística ganhou força em 1968 em meio às manifestações políticas em Paris. No Brasil, o grafite ingressou no final da década de 1970, especialmente em São Paulo, influenciado pela cultura do grafite norte-americano.

Em Blumenau essa arte passa a compor o ambiente escolar pelas mãos de artistas como Bruno Alex da Silva, mais conhecido como Buiu. Há seis anos, Bruno dedica-se profissionalmente, a trabalhos que vão desde intervenções em espaços urbanos a particulares. Mas a relação com as instituições iniciou após encontrar sua ex-professora de artes nas redes sociais e ela fazer o convite para uma intervenção artística no colégio em que trabalhava. “Muitos professores se conhecem, estudaram juntos e começaram a comentar”, conta.

Nas escolas, normalmente o objetivo do trabalho é mostrar a diferença entre grafite e a pichação. Nesses encontros, Buiu explica sobre o grafite, mostra seus trabalhos e os alunos produzem seus próprios desenhos. Nos projetos decorativos, além de falar sobre grafite, há a participação dos alunos na construção da ideia e na produção dele.

No CEI Carlos Rohweder, a diretora Angela Regina de Oliveira explica que essa união com ensino aconteceu por meio do Projeto Macro, que tem como tema deste ano a arte catarinense. “Cada turma escolheu um artista catarinense para explorar. A turma do Creche III A escolheu o grafite como arte para pesquisar e chegaram ao Bruno”, explica a diretora.

Na Escola Estadual Pedro II, parte do trabalho em parceria com Bruno e outros grafiteiros estampa os muros da instituição. Gabriela Ladevig, coordenadora da escola, explica que foi a partir de uma matéria do livro didático de Língua Portuguesa que decidiram fazer um projeto interdisciplinar que envolvesse a disciplina de Artes. Além de oficinas e exposições, os trabalhos permitiram a inclusão de alunos. “Adaptaram a parede com massa corrida para que as alunas cegas conseguissem tatear para realizar o grafite” explica Gabriela.

No CEI Carlos Rohweder assim como na Escola Pedro II, tanto os pais como as crianças aprovaram a proposta e foram muito participativos. “Superou nossas expectativas, tudo foi acontecendo de maneira natural.”, comenta Ângela, diretora do CEI. “Foi uma experiência enriquecedora, os alunos mostraram-se interessados e atuantes durante todo o grafite e os pais elogiaram o trabalho feito”, fala Gabriela.

Para Bruno, além de o grafite ser sua forma de sustento, é gratificante saber que colaborou na educação das crianças de alguma forma e ver o grafite ser reconhecido. “É uma felicidade imensa, inexplicável. E é muito legal se tornar uma referência para falar de grafite”, comenta.

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