Ambientes de trabalho compartilhados: Conheça a tendência dos coworkings no Vale do Itajaí

Segundo informações do site Coworking Brasil, Blumenau e Balneário Camboriú estão na lista das 50 cidades mais procuradas

Carla Bucci

Amazon, Apple, Nike, Google, Ford: Todas essas marcas começaram seus negócios em pequenas garagens de casas americanas. Mas e se tivessem, desde o início, a oportunidade de se desenvolverem em ambientes inspiradores e democráticos, que proporcionam uma rede de contatos profissionais e pessoais variada e ainda preço justo? Hoje isso já é possível por meio dos ambientes de trabalho compartilhados ou coworkings. Esse novo modelo de trabalho que estimula a criatividade, a produtividade e as conexões entre as pessoas já está presente no Vale do Itajaí desde 2015 e depois de um crescimento gigantesco no ano de 2017, hoje já são 88 espaços espalhados por vários municípios do estado, entre eles Itajaí, Timbó, Blumenau, Balneário Camboriú e Gaspar, segundo dados do Censo Coworking 2018. 

Os espaços de ambiente de trabalho compartilhado foram criados com o objetivo de atender uma crescente demanda de empreendedores e profissionais autônomos iniciando suas empresas, mas que não têm previsão de quantas pessoas ou qual espaço precisarão nos primeiros meses ou anos. Para que isso aconteça, os coworkings são capazes de atender as necessidades de diversos profissionais, os quais dividem o mesmo espaço para realizarem suas tarefas, independentemente delas serem parecidas ou não. Rodrigo Schilling, 37 anos, é diretor executivo do coworking Fábrica de Negócios, em Blumenau, e afirma que o maior obstáculo é justamente trabalhar em colaboração: “Hoje somos em 10 empresas físicas e 3 empresas virtuais, ao total de 34 operários, ou seja, residentes. Compartilhar os espaços e todos terem a responsabilidade de ‘serem donos’ é sem sombra de dúvida um desafio”. 

Segundo a revista Exame, o modelo de ambiente de trabalho compartilhado surgiu nos Estados Unidos, no ano de 2005, quando o engenheiro de software Brad Neuberg fundou um escritório e abriu as portas para profissionais que precisavam de lugar para trabalhar e queriam compartilhar experiências. No mercado brasileiro, o conceito foi introduzido em 2008 e desde então tem conquistado cada vez mais adeptos, já que o sentido de compartilhar vem ganhando força, especialmente nos momentos de crise financeira.  Neste ano, em todo o Brasil, o segmento conta com aproximadamente 214 mil pessoas circulando nos espaços. Em 26 estados do país, 169 municípios, são 1.194 espaços reconhecidos pelo Censo Coworking Brasil 2018. O enorme potencial para expansão da modalidade de escritórios compartilhados na também na região do Vale do Itajaí pode ser comprovado pelo levantamento feito recentemente pelo Coworking Brasil, projeto conjunto de diversos fundadores de espaços de coworking brasileiros. Segundo essas informações, Blumenau e Balneário Camboriú aparecem na lista das 50 cidades mais procuradas na plataforma.  

Basicamente, o proprietário fornece os recursos indispensáveis ao desenvolvimento de uma atividade e calcula as despesas de manutenção do espaço por horas. A partir disso, podem ser oferecidos planos diários, semanais, mensais ou até mesmo por horas. As opções e preços do mercado são variados: Alguns coworkings mantém uma linha formal, outros apresentam jogos e propostas mais divertidas. Alguns oferecem somente internet, enquanto outros oferecem pacotes completos com telefone, secretária compartilhada, sala de reunião, serviços e impressão. Ainda segundo informações do Censo Coworking 2018, não existe um “espaço ideal” de ambiente de trabalho compartilhado porque a pluralidade do perfil dos coworkings têm aumentado cada vez mais. Enquanto algumas marcas consolidam suas atividades, com espaços amplos e estruturados, cada vez mais as pequenas empresas, os cafés e os centros comerciais abrem suas portas para a comunidade local, mesmo que ainda de forma improvisada: “Cada um vem experimentando diferentes tipos de estrutura, com diferentes serviços e testando o que funciona”, cita a pesquisa. Este é justamente o caso da Fábrica de Negócios, em Blumenau. Além de possuir uma estrutura completa de coworking, com cozinha compartilhada, biblioteca comunitária, sala de reunião, box individuais, pracinha para café, espaço zen para leitura, banheiros, chuveiros, armário para guarda volumes, bicicletário, cafeteria, mesas e salas, a Fábrica ainda desenvolveu um Programa de Alavancagem de Empresas, o primeiro de Santa Catarina. 

Nos ambientes de trabalho compartilhado, as áreas de convivências são valorizadas para promover a interação entre os profissionais. (Foto: Carla Bucci)

Conheça as principais vantagens de trabalhar em um ambiente de trabalho compartilhado

Cada espaço tem seus diferenciais, mas a ideia é a mesma: compartilhar experiências e ideias. Pensados para aumentar a rede de contatos pessoais e profissionais (networking) de diversas áreas, os ambientes de coworking são voltados para quem quer desenvolver seus projetos sem o isolamento do trabalho em casa (home office) ou as distrações de espaços públicos. Justamente por isso as áreas de convivência são feitas para pausas e descansos, fazer refeições e trocar ideias com os companheiros. Nessas oportunidades, há uma troca rica de experiências, descontração, e tudo contribui na obtenção de melhores resultados. “A maior vantagem é o networking que uma sala comercial não permite. Na Fábrica de Negócios, por exemplo, oportunizamos negócios entre os operários, ou seja, trocamos clientes e assim nos fortalecemos como grupo, como coworking e principalmente como empresas complementares”, afirma Schilling. 

Além de possuírem toda a estrutura para receber clientes com um custo menor do que se tem ao alugar uma sala comercial, outra vantagem é que o fato de que o coworker não precisa se incomodar com a manutenção de seu local de trabalho, é só pagar um valor fixo e trabalhar. Ou seja, o empreendedor pode iniciar suas atividades imediatamente, sem ter que aguardar reformas. Manoela Paola Pretti, gerente administrativa do Espaço i9, coworking na cidade de Timbó,  destaca que os custos são muito menores do que no modelo tradicional de escritório. “Locar uma sala, comprar mobiliário, pagar as contas básicas, cuidar da limpeza sai muito mais caro do que pagar o valor fixo e não precisar se preocupar com manutenção. Além disso, no coworking você interage com pessoas de diversas áreas, que podem se tornar seus clientes, fornecedores ou no mínimo trocar ideias produtivas com você ou indicar pessoas para que aumente seu networking”.

Grande parte dos coworkings conta com salas de reunião, que podem ser “alugadas” de acordo com a necessidade do profissional. (Foto: Carla Bucci)

Ainda com o objetivo de estimular o empreendedorismo em torno dos ambientes de trabalho compartilhados, é comum que eventos como palestras, meetups e workshops sejam promovidos pelos próprios coworkings, como é o caso do Rex.Conecta, no Rex.Coworking, em Blumenau. Bárbara Batista, 26 anos, auxiliar administrativa do Rex.Co afirma que a intenção do evento é conectar pessoas através de ações e conteúdos relevantes para o mercado blumenauense: “Além das pessoas que já estão aqui no nosso coworking, a ideia é trazer também as pessoas de fora para movimentar o ecossistema, gerando conhecimento com temas diferentes e interação de forma gratuita”, afirma. 

Ainda segundo dados do Censo Coworking Brasil 2018, apresentar o conceito de coworking para a comunidade local e encontrar os primeiros clientes, somam 77% dos maiores desafios para iniciar o negócio. Manoela Paola Pretti, gerente do coworking Espaço i9, em Timbó, concorda: “Fazer com que as pessoas entendam o nosso negócio é a maior dificuldade que temos hoje. O que é um coworking, para que serve, quem pode utilizar, fazer a pessoa valorizar o que oferecemos e o ótimo custo-benefício”. Ela ainda destaca que até o momento o Espaço está abaixo da expectativa, mas que enxerga um ótimo futuro: “O futuro é colaborativo e compartilhado. Cada vez mais as pessoas vão ter que se adequar a isso. A nossa cidade ainda é muito fechada para tal, mas aos poucos esperamos quebrar esse conceito”, afirma. 

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