Resenha: Euphoria é o projeto mais ambicioso e artisticamente interessante do ano

Série da HBO finalizou sua temporada inicial, de oito episódios, no último domingo, dia 4

Luiz Machado

Se você acompanha qualquer portal de notícias relacionado à cultura pop ou redes sociais nas últimas semanas, com certeza cruzou em algum momento com título Euphoria. Lançamento da HBO, a série antes mesmo de sua estreia já estava causando alvoroço e polêmicas por conta de seu conteúdo extremamente adulto e a promessa de um retrato real de vício e dependência química. Com uma advertência do que o telespectador iria assistir, o canal estreou seu primeiro episódio e já foi o suficiente para uma associação de pais norte-americana pedirem à emissora que cancelasse o programa por conta do grafismo de suas cenas. Bom, tudo isso para dizer que a série começou chamando a atenção por sua polêmica e a HBO foi bem esperta de colocar seu marketing em cima disso. Mas agora, depois dos oito episódios da primeira temporada, é possível perceber como Euphoria é muito mais do que isso e tem potencial para ser provavelmente o melhor e mais ambicioso projeto televisivo do ano.

Criada pelo diretor Sam Levinson (que já tinha feito algo parecido em 2018 com o filme Assassination Nation), a série acompanha um grupo de adolescentes e suas conturbadas rotinas de descoberta, sexo, amor e drogas. Tudo isso narrado pela atriz Zendaya (que se Deus quiser vai pelo menos ser indicada a um Emmy de Melhor Atriz em Série Dramática em 2020) e montado de forma frenética e estilizada. Visualmente a série é impressionante. Muito além do roteiro esperto e bem escrito, ela usa de sua edição e direção de arte como um elemento narrativo. E isso a acaba tornando um produto único em que cada detalhe em tela (que vai da trilha sonora e até maquiagem) forma quase que um complô contra o telespectador. Cada episódio é um desesperado teste pra cardíaco, principalmente depois de você criar certo apego pelos personagens.

Inclusive a definição de AUGE foi redefinida essa temporada no quarto episódio (“Shook One Pt. II”) que é a melhor e mais alucinada hora que qualquer série de televisão vai poder nos proporcionar em 2019.

Já renovada para sua segunda temporada, a série finaliza seu ano inicial com um episódio morno e com clima de despedida. Talvez a ideia inicial não fosse passar destes oito episódios ou ela foi pensada mais com um objetivo de evitar frustrações caso um futuro cancelamento viesse. Mas todos os principais plots recorrentes foram encerrados (ou em alguns casos apenas “adormecidos”) e a cena final é um show onírico extremamente confuso, porém satisfatório por combinar com a estética estilizada e surtada que a série constrói até aquele momento. Pesada, divertida e interessante, Euphoria é um espetáculo e fecha com um espetáculo e só resta imaginar até onde ela pode ir em suas temporadas futuras. Já que depois de tudo o que vimos até agora, nada mais parece que pode surpreender. Sam Levinson vai ter um trabalhão para continuar neste nível de qualidade sem saturar ou exagerar demais esse “perigoso” projeto.

Trailer:

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