O esporte como moldador de caráter nas crianças e jovens

O esporte como moldador de caráter nas crianças e jovens

Edemir Júnior

Os trabalhos sociais desenvolvidos em todo o Brasil são muito importantes para o progresso da população brasileira, auxiliando na formação comunitária das pessoas. No entanto, o realizado com crianças e adolescentes das mais diversas camadas da sociedade são ainda mais significativos, pois são eles o futuro da nossa nação. É aí que entra o esporte, que ajuda muito as crianças e jovens a se desenvolverem socialmente, pois é ele uma das principais formas de inclusão social, se não a principal, além de tirar as crianças da rua e colocá-las no rumo certo. Em Blumenau, tem-se vários exemplos de projetos sociais, como o Projeto Tribo de Davi, NFC e o Pró-Família, que é público.


Projeto Tribo de Davi oferece aulas de artes marciais para crianças das regiões mais vulneráveis de Blumenau


Ajudar o próximo é sempre ótimo, não só para quem é ajudado, mas também para os que oferecem o auxílio, afinal, quem nunca prestou ajuda a alguém e se sentiu muito melhor depois do ato? Nesse sentido surge, a Tribo de Davi, projeto capitaneado por Valdeci da Silva, que desde fevereiro de 2013 oferece aulas de jiu-jitsu em quatro locais diferentes e todos eles em áreas consideradas carentes e vulneráveis de Blumenau:

O projeto, que hoje conta com cerca de 200 crianças, teve início na verdade em 2009, com a ONG Instituto Elo Vital, que a princípio, era para tirar pessoas do craque, sem envolvimento com esporte. Quando Valdeci entrou no projeto, resolveram fazer essa recuperação através das artes marciais:

“Eu não tenho filhos ainda. Meus, naturais. Mas Deus me deu vários filhos, hoje não tenho mais como abandonar eles aqui”, diz Valdeci, com muito orgulho.

Foto: Divulgação.

Com relação a como se mantém o projeto, financeiramente falando, Valdeci explica que tudo que é feito é de graça e a Tribo de Davi vive de doações: “Todo serviço que é feito, é voluntário. As doações são de fato o que a gente precisa para os treinos: faixas, kimonos e tatames. Geralmente, como temos muitos conhecidos e o projeto cresceu bastante, a gente fala com empresários e amigos nossos, explicando a situação. Então, para ficar uma coisa bastante transparente, a gente passa direto o contato da empresa que fornece os kimonos, por exemplo, com o preço mais barato e os caras compram direto, repassando para nós depois”.  

NFC – um projeto de alma esportiva e com DNA social 

Com o lema de “transformar a sociedade através do esporte”, surge o Núcleo de Futebol Cristais (NFC), projeto criado em março de 2018 e que visa fornecer atletas para o mercado nacional e internacional da bola, com o acompanhamento não somente na parte técnica, como também o aprimoramento psicológico e comportamental.   

Contando hoje com cerca de 120 crianças de sete a 13 anos de idade, o projeto surge para ser algo diferenciado na cidade, conforme conta Lamil Valêncio, um dos diretores e treinador do NFC: “Nossa intenção é primeiramente ensinar aos atletas a parte técnica, para que no futuro, caso ele venha a jogar em algum Clube, seja na base ou no profissional, essa parte esteja bastante apurada”. Contando com muitas ligações em vários clubes do país, Lamil diz que o atleta que se destacar ou que tiver uma boa “leitura de jogo” pode ser indicado em alguns desses times: “Tenho muitos contatos de profissionais que trabalham no Avaí, Figueirense, Atlético-PR, Corinthians, etc.. Se tiver um atleta acima da média, com certeza o levarei para fazer um teste na base desses Clubes”.

Foto: Edemir Júnior

Porém, o pensamento não é somente no desenvolvimento de talentos, visto a dura realidade da sociedade brasileira, onde são perdidos muitos craques para as drogas, mundo do roubo ou até mesmo por essas crianças não terem a oportunidade de mostrar suas habilidades.  


Pensando nisso, o NFC fez uma parceria com o PROAVE (Projeto Amigos da Velha), cuja missão é buscar apoio para que jovens carentes, inicialmente dessa região, tenham a oportunidade de treinar e sonhar com uma carreira profissional, independentemente de sua condição financeira. Primeiro, o setor administrativo checa se a criança interessada em fazer parte do projeto tem de fato alguma necessidade e/ou já é inscrita em alguma ONG da cidade. Caso não seja, é buscado algum apadrinhamento para o jovem, como por exemplo do restaurante localizado em anexo ao Caça e Tiro Velha Central, local onde ocorrem os treinamentos. “Hoje, eu e a Dani (responsável pelo adm) almoçamos todos os dias ali em troca de patrocínio para dois alunos da escolinha”, explica Lamil.


Além do trabalho dentro de campo, Lamil também aposta no trabalho fora dele. O NFC vai dar aos alunos cadernos e revistas, além é claro de muita disciplina: “No começo, tinha alguns meninos bastante mal-educados, mas hoje eles já estão bem comportados. Outra coisa: não toleramos Bullying. Temos algumas crianças com problemas de saúde e se alguém “zoar” com elas, ponho para fora do treino”.

Pró-Família: esportes voltados para crianças de escolas públicas

Voltado para estudantes da rede pública de ensino, a projeto Pró-Família visa dar oportunidades para as crianças se integrarem entre si no período em que não estão estudando. Por exemplo: João estuda de manhã na Escola Lúcio Esteves. No período da tarde ele pode escolher um esporte disponível, como o Judô e praticá-lo, conforme inscrição prévia, sempre no início de cada ano.

A dança folclórica é uma das modalidades oferecidas pela Pró-Família. Foto: Marcelo Martins.

Ao todo, são cerca de 13 modalidades disponíveis para os alunos: os mais tradicionais, como o vôlei, xadrez, handebol, futebol e basquete. Também inclui aulas de ballet, teatro, violão, dança, artes plásticas, marciais, folclore e mais recentemente aulas de Violino.


Segundo Cristiane Loureiro, diretora de atividades da Pró-Família, essas novas turmas de Violino são muito importantes devido à capacidade de estimulação de memória que possui: “Estou aqui há dois anos, e nesse tempo, conseguimos ampliar a grade de aulas, trazendo a de Violino, que estimula a memória e estamos querendo trazer mais atividades voltadas ao esporte, até mesmo a terceira idade, que pede a vinda da aula de Handebol (apenas as crianças têm aula de Handebol)”.


Sim, a Pró-Família também oferece aulas para os Idosos da cidade, com cerca de 5.500 mil inscritos, através do Centro de Referência em Atenção ao Idoso. São oferecidas 40 oficinas envolvendo atividades de lazer, educação, cultura e cidadania, além de uma programação especial de passeios, jogos e atividades durante o ano. Ao todo, mais de 100 núcleos estão à disposição da comunidade Blumenauense, atingindo 29 bairros da cidade. 


Esses três projetos são só alguns exemplos de trabalhos sociais na cidade.  Eles só confirmam uma velha tese: se cada um fizesse um pouco, o nosso mundo poderia ser completamente diferente: teríamos um universo menos desigual, mais justo, mais humano, pois como diz o próprio Valdeci, da Tribo de Davi, “as pessoas não querem dinheiro, elas querem amor”

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