Depressão e ansiedade: entenda o mal do século

Especialista explica causas e tratamentos para os transtornos psicológicos que mais afetam a população

Júlia Beatriz

Santa Catarina está entre os estados que mais sofre com a depressão e a ansiedade. Os últimos dados atualizados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 12,9% da população catarinense possui depressão, de acordo com diagnóstico médico. 

Segundo a psicóloga Joyce Manzke, a ansiedade é considerada normal para qualquer pessoa, quando alguém está em alguma situação nova ou esperando algo novo. Mas, em alguns casos, ela pode levar a pessoa a ter uma preocupação intensa e que se torna persistente. Já a depressão ocorre em momentos que a pessoa está muito estressada ou passou por um período perturbador, como a perda de alguém muito especial. Em ambos os casos, se não for tratado, as doenças começam a interferir negativamente na vida da pessoa, como, por exemplo, causando indisposição para sair de casa, medo de sair na rua, ficar em lugares fechados e ter contato com as pessoas, entre outros fatores. “Às vezes a pessoa vem com depressão ou ansiedade, mas não sabe identificar o que causou. Então, nem sempre a gente tem uma causa identificada, mas a pessoa sente-se assim e a gente vai investigando até ter noção do que pode ter ocasionado aquilo”, conta a psicóloga.

Foto: Sander van der We / Wikimedia Commons

Os sintomas podem ser diversos. Na ansiedade, surge a preocupação e medos extremos, tensão, irritabilidade, agitação, coração acelerado, boca seca, tontura, entre outros. E, na depressão, a pessoa começa a sentir tristeza, perda de interesse em atividades e pessoas que fazem parte do cotidiano dela, alterações no humor, sono e sentimento de solidão, principal característica da doença. 

A psicóloga afirma que o tratamento é feito por medicamentos e psicoterapia, além de atividades físicas e boa alimentação, que contribuem bastante para a melhora do paciente. Conforme a pessoa vai realizando os tratamentos de maneira correta, os sintomas vão diminuindo e ela começa a avaliar as coisas de uma maneira diferente, lidando com os desafios da vida, que antes sentia-se incapaz de realizar. Mas, Joyce lembra que nem sempre a pessoa está preparada para enfrentar a situação. Por isso, em certos casos, o tratamento não funciona. “O paciente precisa estar engajado no tratamento. Ele precisa tomar as medicações certinho, fazer o que o psicólogo pedir e vir nas consultas. Então, às vezes, ele não vai estar respondendo a aquilo também. Algumas vezes, a causa pode ser por não ir com a cara do profissional, não ter empatia. Então, assim, a coisa não vai dar muito certo”, afirma.

Instagram está oferecendo ajuda aos usuários que sofrem com a ansiedade e depressão

Para a psicóloga Joyce, as redes sociais possuem uma grande influência na vida das pessoas, principalmente nas que são mais negativas e possuem problemas de autoestima. “Ali tudo parece ser perfeito, tudo é muito lindo, só postamos coisas boas. Isso pode fazer com que essas pessoas acreditem que só elas possuem problemas, só elas estão passando por alguma dificuldade e que as outras pessoas são tão felizes, comem em restaurantes tão legais, saem, fazem festa e ela só dentro de casa, não tem vontade de sair, não tem amigos, mas isso não é bem assim. Então, para essas pessoas pode sim estar influenciando”, afirma.

Recentemente, o Instagram passou a oferecer ajuda para as pessoas com ansiedade e depressão. Quando um usuário pesquisa e clica na hashtag, aparece a mensagem: “publicações com as palavras ou tags que você está procurando muitas vezes incentivam um comportamento que pode fazer mal a uma pessoa e até levá-la à morte. Se você está passando por uma situação difícil, gostaríamos de ajudar”. Ao clicar em obter apoio, a rede social apresenta dicas e possui a opção de entrar em contato com voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV).

Nisael Antônio dos Santos, voluntário do CVV de Blumenau, conta que as pessoas que trabalham no Centro passam por cursos de preparação e capacitação frequentemente, e que o auxílio é feito 24h por dia, pelo telefone 188. Também possuem atendimento presencial das 7h às 19h e pelo site cvv.org.br. “Em 2018 o serviço CVV atendeu mais de 2,5 milhões de contatos em todas as plataformas de atendimentos. No CVV Blumenau são mais de 2 mil contatos por mês”, conclui Nisael.

Foto: Edemir Júnior

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