Parque São Francisco: O coração verde de Blumenau

Parque é exemplo de área de conservação ambiental na cidade

Ingrid Leonel; Vinícius Vieira

Com a variedade de biomas que o Brasil proporciona em suas mais diferentes regiões não é de se espantar ao descobrir que, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o país ganha a fama de maior biodiversidade do Mundo, englobando 20% das espécies de flora e fauna de todo o planeta.

Já que tanta “vida” importante se manifesta no solo Brasileiro, a preservação ambiental também se apresenta, a Constituição Federal de 1988 traz um processo institucional e legal para que ocorra a defesa e preservação da natureza do Brasil. O que ocorre apenas em 1998, através da lei Nº 9.605 que foi regulamentada mais de um ano depois, em 1999, foram estabelecidas penas e multas contra agressões ao meio ambiente.

Um exemplar de área de conservação ambiental é o Parque Natural Municipal São Francisco de Assis, localizado no centro de Blumenau, bem no coração da cidade. A 500 metros de uma das ruas mais movimentadas, a Rua Sete de Setembro. Este espaço totalmente preservado, equivalente a 60 campos de futebol, foi criado em 1995 e tem 23 hectares de Mata Atlântica, rico pela diversidade, são mais de 150 espécies identificadas em flora e fauna.

Por conta da localização estratégica, o parque se torna acessível para todos, como explica o professor do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Regional de Blumenau (Furb), Luís Olímpo Menta Giasson. “Localização é um fator muito importante para a educação ambiental, ele tem esse viés e potencial por estar dentro da cidade, é um acesso facilitado, você pode pegar um ônibus e chegar no parque com tranquilidade”, explica o biólogo.

O parque é formado por trilhas que oferecem caminhadas e contato direto com a natureza, em quatro diferentes trajetos, sendo eles: Caminho das Águas, Caminho do Tucano, Caminho da Cutia e Caminho do Tatu. Atualmente, o parque fica aberto de terça a sábado das 8h às 17h, com entrada gratuita. O objetivo principal é a educação ambiental, fornecendo material de estudo para professores e alunos do ensino fundamental, médio e superior, incluindo escolas públicas em privadas de todo o estado.

Outro professor do Curso de Ciências Biológicas da Furb, André Luís de Gasper, explica a necessidade de preservar ambientes de Mata Atlântica, o bioma percentualmente mais devastado do Brasil. “Podemos pensar primeiro que todas as espécies têm o direito de existir, em segundo plano, que também nem conhecemos toda a diversidade que está ali, então podemos estar perdendo alguma coisa da nossa flora ou fauna que poderíamos usar para nosso bem, como na medicina, na farmácia, é uma forma egoísta de pensar, mas em muitos âmbitos é realidade”, explica o biólogo.

PARQUE FICOU FECHADO POR SEIS ANOS

Mas nem sempre foi assim, o espaço chegou a ficar fechado por seis anos devido uma das piores tragédias socioambientais já registradas no Vale do Itajaí, ocorrida em 2008, com a enchente e desmoronamentos que assolaram a região. O ambiente passava a receber quase diariamente, moradores da própria cidade, que reivindicavam pela reabertura. Somente em 2014 o parque passou por uma revitalização, desobstrução das trilhas, limpezas, fixação de placas, recondicionamentos de pontes, instalações elétricas, entre outras melhorias para que pudesse ser reaberto.

O educador ambiental da FAEMA, José Constantino Sommer, conta que durante os deslizamentos de terras que assolaram a cidade em 2008, o Parque São Francisco teve sua encosta norte quase totalmente destruída, o que levou ao seu fechamento temporário. Durante esse período, o biólogo explica que as atividades de produção científica foram interrompidas e o tempo que poderia ter sido aproveitado ao longo de todos estes anos, foi deixado em pausa.

As manutenções destas zonas de preservação são ainda importantes pelo bom estado dos recursos hídricos, como fala o professor Gasper. “A conservação é essencial para que possamos evitar perdas humanas também, ainda mais aqui no Vale do Itajaí, quanto mais conservarmos, mais água vai ter, as nascentes só vão existir se preservarmos a mata”, completa o biólogo.

FAEMA

Responsável pelo meio ambiente da cidade existe a FAEMA, Fundação Municipal do Meio Ambiente, que cuida de todo o processo de educação ambiental do município e faz também a parte de normatização das áreas de preservação, assim como a fiscalização e promoção de eventos com relação ao ambientalismo da cidade. A FAEMA também participa do Conselho Municipal do Meio Ambiente (CMMA), que realiza reuniões mensais, esse conselho é responsável pela Política Municipal do Meio Ambiente, conforme foi definido em 2010.

O professor Sommer, que já presidiu o conselho, explica ainda, que o CMMA também tem a participação de várias instituições em suas reuniões. O CMMA ainda tem ligação direta com a entrada das verbas relacionadas a preservação ambiental. “O conselho é ordenador do Fundo Municipal do Meio Ambiente, que são recursos vindos de multas, repasses, ajustes de conduta. Esses recursos são então aplicados em projetos e eventos relacionados ao desenvolvimento do meio ambiente do munícipio”, conta o biólogo.

PARQUE SPITZKOPF                      

Existem também em Blumenau, outras áreas de preservação ambiental que são disponibilizadas ao público, como o morro Spitzkopf (“cabeça pontuda” traduzindo do alemão), que é uma montanha localizada na região de Blumenau e fica a 15 quilômetros do centro da cidade, situando-se no Parque Ecológico Spitzkopf, tendo aproximadamente 920 metros de altitude, tem cinco milhões de metros quadrados de mata atlântica e várias espécies de flora e fauna para serem exploradas.

O morro Spitzkopf é o ponto mais alto de Blumenau e também parte do Parque Nacional Serra do Itajaí, com uma visão deslumbrante da mata atlântica e cidades vizinhas, disponibilizando piscina naturais, riachos, cascatas, trilhas e montanhas.

Uma galeria de fotos está disponível com fotos da biodiversidade do local e da interação humana:

LINK PARA A GALERIA

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s