A trajetória de mulheres empreendedoras e os desafios que enfrentam, no Vale do Itajaí

Identificar problemas e oportunidades, criar soluções inovadoras, estas são algumas das formas de caracterizar empreendedores. Com grandes ou pequenos negócios, o número de pessoas que optam por ter sua própria empresa tem crescido no Brasil, segundo dados, de 2017, do Sebrae, divulgados pela Istoé. 

Na região do Vale do Itajaí, a cena também é incentivada por muito profissionais, que se identificam com o empreendedorismo. A exemplo, Kátia Cilene de Melo da Silva, 46, do município de Timbó. A empreendedora, que faz parte dos 39,9% de brasileiros que empreendem por necessidade, tem uma negócio de velas. “Tudo começou pela necessidade de trabalhar e não ter a disponibilidade de sair de casa, por causa das crianças, que eram pequenas. Então pensei: ‘o que sei fazer que posso fazer em casa e ao mesmo tempo ficar com as crianças?’ Como já havia feito alguns cursos de velas artesanais no passado comecei por aí”, conta a proprietária da Cilene Mello Art Decor.

Velas arrtesanais produzidas por Kátia. Crédito: Laura Melo

Mas, antes de tudo, afinal, o que é empreendedor? Para Ilisangela Mais, que a proprietária da empresa Prana, que trabalha com captação de recursos para inovação e coordenadora do Núcleo de Inovação da Associação Empresarial de Blumenau (Acib), “Empreendedor é aquele que tem a capacidade de sonhar e realizar”. 

“Quando você é empreendedor, o tempo inteiro está percebendo as oportunidades, está avaliando como pode aprender, de que forma algo pode servir para o próprio negócio, como os clientes interpretam aquilo”, diz e completa: “empreender significa riscos e nem todo mundo está preparado para não saber quanto vai ser a sua remuneração no próximo mês, pra saber que talvez você vai assumir responsabilidades de pagar salário para as pessoas”, finaliza Mais. 

Já para Kátia, para começar a ser um empreendedor é necessário conhecimento do produto e do consumidor, que, para ela, é seletivo. “Para uma pessoa começar a empreender é necessário  conhecimento do produto, pois o consumidor está bem ‘seletivo’. E acima de tudo não depender financeiramente do negócio. Fazer cursos e buscar ajuda no Sebrae ajuda muito”, conclui a empreendedora de Timbó.

Cerca de 57% dos jovens entre 18 e 35 anos se envolveram com empreendimentos e a pesquisa ainda trouxe que são mais de 49 milhões de empreendedores no Brasil. Mais recentemente, o Sebrae divulgou pesquisa e mostrou que 46% dos mais 5.800 entrevistados consideraram 2018 como pior para os negócios. Mas 67% veem para o próximo um cenário melhor, de fato, 52,8% pretendem investir em suas empresas. 

 Outros dados mostram que de 100 empresas abertas, somente 15% seguem após dois anos do seu início e destas, apenas 2% passam dos cinco anos. Schirley Dossi faz parte deste seleto grupo estatístico. Seu negócio de trabalhos artesanais com MDF já existe desde 2014, e o que começou como hobby através dos cursos que fazia, hoje é a maior fonte de renda de sua família, que, também, emprega o marido e filho dela e pode ser reconhecido como um negócio de família. “Nossos maiores desafios, foram os investimentos em máquinas, porque anteriormente o corte das peças era terceirizado e um local maior para desenvolver nossas atividades, que antes eram executadas na nossa casa”, conta ela que além de trabalhar em seu negócio, atua como funcionária pública. “Para se tornar um empreendedor de destaque, deve-se sempre estar em busca de inovação, crescimento e competência profissional, ter um mix de produtos variados com preços competitivos, ter qualidade nos produtos oferecidos, cumprir os prazos de entrega, fidelizar o cliente, conta a empreendedora que recentemente firmou parceria com uma rede de mais de 220 lojas no Brasil. 

Schirley com seu marido Bruno e filho Tiago, com quem trabalha em sua produção de peças artesanais em MDF. Crédito: Divulgação

Uma das peças de Schirley. Crédito: Divulgação

Apesar de atuarem com áreas de negócios diferentes, Kátia e Schirley têm algo em comum: são mulheres empreendedoras. Dia 19 de novembro foi a data escolhida pela ONU para ser o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, uma forma de apoiar, inspirar e empoderar mulheres. Elas já representam, segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2016, 51,5% dos empresários iniciais no Brasil, e são 42,7% dos empreendedores estabelecidos.  No Brasil existe uma plataforma de apoio ao empreendedorismo, a Rede Mulher Empreendedora, a primeira do segmento no país. Hoje, são mais de 300 mil empreendedoras cadastradas na iniciativa que além de promove eventos, cursos, mentorias, também faz parcerias com empresas que apoiam o empreendedorismo feminino, oferece espaço publicitário para estar empreendedoras em seu site, onde são disponibilizados conteúdos com dicas e notícias a respeito da área. A plataforma tem um grupo de apoio com mais de 45 mil membros que trocam ideias e fazem colaborações. O que iniciou como um blog em 2010, no ano passado se tornou um instituto que venceu o edital Goldman Sach & Fortune Global Women Leaders Mentoring Award, prêmio concedido a mulheres do mundo todo que atuam na capacitação de pessoas em suas comunidades e países. 

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