A Batalha da Prainha e a importância do rap regional

Bruno Terreiro Vicentainer e Taynara Schemes

Atraindo cada dia mais um público fiel, o Hip Hop também, tem ganhado espaço em nossa região. Em Blumenau, cidade conhecida pela predominância cultural alemã, um evento vem chamando atenção por sua diversidade, organização e luta: A batalha de Rap da Prainha. 

O evento acontece desde janeiro de 2017, no espaço da cidade que já recebeu os Mamonas Assassinas, nos anos 90. Atualmente, a batalha está na 23ª edição e continua reunindo e incentivando rappers. 

Para o músico Bona Boaventura a batalha é essencial para descobrir novos talentos e para aproximar a comunidade do gênero musical. “ Esse trabalho (a batalha), que a molecada vem fazendo, é o verdadeiro espaço do rap na rua, onde são descobertos vários talentos e a molecada pode soltar a voz, fazendo uma rima improvisada”, conta o rapper.

Além de incentivar a cena na cidade, a batalha é considerada como um ponto de partida para quem busca seu espaço no meio do cenário. “Tem muita gente que antes não fazia som e, participando das batalhas, está conseguindo buscar o próprio espaço e mostrar qual a sua colaboração para cultura”, afirma o músico Vinicius Kalyu, ou só Kalyu, como é popularmente conhecido. 

O início da batalha, segundo Pedro Bursoni, um dos organizadores, foi difícil, devido a falta de equipamentos e, até mesmo, de luz elétrica. Porém, isso não foi motivo para que as batalhas parassem de acontecer. “O movimento nunca acabou por causa das dificuldades. Hoje, o processo de licitação já está com a Prefeitura e a imagem da batalha, aos poucos, vem mudando. O que antes era visto como “baderna de vagabundos” hoje é visto como um movimento social. A cada edição novas pessoas procuram conhecer e vão a batalha”, diz Bursoni. 

Ainda segundo Kalyu, a cidade possui uma resistência para com o evento, devido ao conservadorismo da cidade. “Por ter uma cultura muito forte alemã, a cultura hip hop sai um pouco do que a cidade representa e acaba recebendo um preconceito. A gente movimenta o evento para que isso acabe e mostrar que a gente faz música, arte e não quer criminalizar algo, queremos tirar a visão de criminalização do rap”, alerta o músico. 

Já para Bursoni, a batalha deve continuar, pois é muito importante para a ascensão deste gênero na região. “Ela (batalha) dá visibilidade aos novos Mcs, que muitas vezes não tem condições de estar nas mídias. Ela chama a atenção dos públicos de outras cidades, além de gerar interação com outras cidades; Ela reúne toda a cena de RAP de Blumenau, pq o mc precisa de um apoio (quem faça os beats, os clipes, as gravações, agenciamento de carreira) e na batalha é onde acontecem todos esses contatos”, ressalta. 
  
A próxima batalha da prainha acontece neste Domingo(25) e será a última edição de 2018. Para entender melhor como funciona a batalha assista ao vídeo feito pela nossa redação.

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