Número de obesos cresce em Florianópolis

Santa Catarina é o estado com mais pessoas obesas, diz IBGE

Karoline de Souza

Desde o ano passado, cerca de 15% dos habitantes da cidade de Florianópolis (SC) são considerados obesos e 49,8% estão acima do peso, de acordo com dados divulgados por pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde. O excesso de peso de uma pessoa é calculado através do Índice de Massa Corporal (IMC) e existem alguns fatores que fazem com que algumas pessoas sofram de obesidade e outras não.

A obesidade é considerada um dos principais problemas de saúde contemporâneos, sendo definida como a quantidade excessiva de gordura corporal apresentada por um indivíduo. A sua causa é multifatorial, sendo uma interação entre fatores genéticos e ambientais, que englobam questões psicológicas, maus hábitos alimentares e sedentarismo.

De acordo com a nutricionista Camile Laís Rocha, o único jeito de driblar a obesidade é com uma alimentação saudável e prática de atividades físicas, que devem ser uma preocupação constante e uma meta de vida de cada indivíduo. “Em relação aos adultos é importante acompanhar o IMC, que é a divisão do peso em kg pela altura ao quadrado. Se esse valor for igual ou maior do que 25 kg/m², o indivíduo já é considerado com excesso de peso” explica a nutricionista. Além disso, a circunferência da cintura também pode servir de parâmetro, “mulheres com valores iguais ou maiores de 80 cm e em homens com medida de circunferência da cintura igual ou maior que 94 cm, já apresentam um risco aumentado para doenças crônicas (diabetes, pressão alta, doenças cardiovasculares e etc” alega Camile.

Por se tratar de uma doença multifatorial, o tratamento ideal seria contemplar o acompanhamento de uma equipe interprofissional, composta por médico, nutricionista, psicólogo, profissional de educação física e entre outros. Cada área tem sua contribuição na busca de melhorias no estilo de vida, já que auxiliará o paciente na adesão do tratamento correto e enfrentar as possíveis dificuldades. 

Atualmente, todas as pessoas vivem em um ambiente que as torna mais sedentárias e vulneráveis ao consumo de alimentos industrializados e prejudiciais à saúde.

Exemplos de acordo com Camile Laís Rocha. Arte: Karoline de Souza.

Segundo a nutricionista funcional e ortomolecular, Cristine Volkmann, o melhor tratamento é sempre aquele que vê o paciente como único e que investiga as causas da obesidade e suas consequências: “alguns vão se beneficiar de cirurgias bariátricas, de acompanhamento psicológico ou medicação. Não existe uma receita, todos se beneficiam com atendimento multidisciplinar (médico + terapeuta + nutricionista + educador físico), mas sempre existe um ponto que se vale focar e esse ponto depende de cada paciente”.

Para ela, alguns podem estar em desequilíbrio hormonal e, após ajuste médico, vão se sentir mais dispostos para a atividade física, mais abertos a dieta e terapia. “Até pode ter outros que carregam traumas que inicialmente devem ser tratados por um psicólogo, antes que se pense em dieta, por exemplo. A obesidade precisa ser vista como doença, para ser tratada como tal, com respeito e responsabilidade, parando apenas de culpabilizar o paciente e seus hábitos. Muitas vezes os hábitos são “apenas” um reflexo de desajustes psicológicos, hormonais, metabólicos… Se eu melhoro o sono do paciente, a fome dele diminui, por exemplo e por aí vai…” explica a nutricionista.

O mundo vem sofrendo mudanças que às vezes não podem ser controladas, como o trabalho, relações humanas e a cidade em que se vive. Como a alimentação e a atividade física são os únicos fatores que influenciam diretamente na saúde, é fundamental o controle. “Você não tem escolha, ou cuida de sua alimentação hoje, ou lida com a doença amanhã”, ela reflete. Todos precisam pensar sobre os hábitos alimentares, se realmente alimentam a sua saúde, sonhos, objetivos ou se estão apenas alimentando doenças, frustrações e problemas. Conheça o seu corpo e dê a ele, o que precisa.

A questão não é apenas estética, peso ou obesidade, mas sim de uma vida. “O seu corpo é a sua casa, o veículo que te leva pela vida, a matéria que faz viver seus sonhos. Se você não cuidar de você, quem vai? Qual objetivo você colocou a frente de sua saúde? De que adianta conquistar algo, e não viver bem? Pense nisso! Foque primeiro na sua saúde, pois só assim, você conseguirá dar o melhor de você em outras áreas da sua vida” ela aconselha.

NOVOS HÁBITOS SAUDÁVEIS

Apesar do alto índice de obesidade e excesso de peso no Brasil e no mundo, a população já demonstra hábitos mais saudáveis. De acordo com o Ministério da Saúde, desde 2008 o consumo regular de frutas e hortaliças no Brasil cresceu cerca de 5,7%, a prática de atividade física no tempo livre aumentou 119% e o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas caiu 44,5%.

O entusiasmo de seguir uma dieta e praticar exercícios físicos na medida em que for possível está mudando o perfil das pessoas, por exemplo, o estudante João Poffo, nunca teve dúvidas em relação a estar próximo da obesidade: “apesar de não me considerar uma pessoa saudável, evito comer coisas que me fazem mal em excesso, principalmente frituras, doces e refrigerante durante a semana. Já que não tenho acompanhamento de nutricionista, no pouco tempo livre que tenho, consigo exercitar-me”.

Para Laira Metzen, médica e nutróloga, é preciso haver a conscientização de todos desde crianças se possível. “Se você não se cuidava desde criança, pode começar a partir de hoje. É preciso entender que a indústria alimentícia não está preocupada com sua saúde e o negócio deles é vender. Atrás disso tem uma indústria farmacêutica esperando você para vender remédios” reflete Laira.

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