Veganos e Celíacos têm mais espaço na Oktoberfest

Pelo segundo ano consecutivo a Oktoberfest promove a barraquinha Vegan-Gluten Free. Os alimentos são totalmente livres de glutén e esse ano a novidade é o hambúguer de beterrada com lentilha.

Gabriela Rebello Zimmermann

Desde 2017, alimentos sem glúten fazem parte do cardápio da Oktoberfest. Esse ano, a novidade é o primeiro prato totalmente vegano da festa: pão sem glúten, hambúrguer de beterraba com lentilha, molho e salada. A ideia veio para juntar o útil ao agradável: possibilitar que pessoas veganas e/ou celíacas possam se alimentar na Vila Germânica e também aproximar esse público da festa, conseguindo expandir a clientela.

O número de adeptos ao veganismo têm aumentado nos últimos anos. No Brasil faltam dados atualizados que possam mostrar esse aumento, mas, segundo artigo postado no início de 2018 pelo site Food Revolution, nos Estados Unidos houve um aumento de 600% no número de adeptos ao veganismo de 2014 (1%) à 2017 (6%). Enquanto isso, no Reino Unido, o aumento foi de 350% na última década. Já em Portugal, por exemplo, houve crescimento no número de adeptos ao vegetarianismo de 400%, também na última década.

Atenta a estes números, a Oktoberfest começou a adicionar pratos diferenciados em seu cardápio, esperando poder atender essas pessoas. Desde o ano passado, é possível encontrar uma barraquinha que oferece hambúrgueres, chopp, sucos e até churros para pessoas que são veganas ou que não ingerem glúten em sua dieta, seja por opção ou por intolerância.

Hambúrguer de beterraba com lentilha. Foto: Gabriela Rebello Zimmermann

Localizada na área externa do Parque Vila Germânica, a barraca Vegan-Gluten Free é totalmente protegida de contaminação de outros produtos. Segundo Fabiana Farias, que trabalha no atendimento dos clientes, os funcionários da cozinha não podem entrar com alimentos de fora e sempre devem higienizar o ambiente para garantir que não aconteça contaminação cruzada de glúten. “Isso é necessário para locais que trabalham com alimentos sem glúten pois existem casos severos de pessoas celíacas nos quais, qualquer tipo de contato pode ocasionar uma reação alérgica muito intensa”, afirma a atendente.

O grupo, formado por funcionários terceirizados, existe apenas para as edições da Oktoberfest, sem uma loja física na cidade. Ainda segundo Fabiana, seria necessário mais barracas espalhadas no parque que pudessem oferecer esses tipos de alimentos, pois a procura é muito grande e agrada àqueles que experimentam.

A iniciativa veio de Roberval Zimmermann, que já está no ramo há algum tempo, e que é proprietário de outras três barracas na Oktoberfest: A Spatzel, American Original Fried Chicken, Duck Burger e, a novidade de 2017, Vegan-Gluten Free.

Roberval achou o mercado interessante e resolveu abraçar a causa. Segundo ele, a intenção é expandir o cardápio para oferecer uma variedade maior de opções a partir da próxima edição. Além disso, acredita que isso irá permitir a essas pessoas a experiência total do que é a Oktoberfest: comida, bebida e dança!

Muitas pessoas precisavam fazer uma refeição em casa antes de ir para a festa pois não haviam alternativas de cardápio que elas pudessem desfrutar, e para Roberval, com esses alimentos entrando no menu é muito mais confortável para elas irem até a Vila aproveitar e desfrutar da experiência.

Foi em 2017 que a fotógrafa Lorene Caroline Scoz decidiu fazer uma mudança na sua vida: se tornar ovolactovegetariana. Para leigos no assunto, esse nome é desconhecido, mas na teoria significa não comer carne mas consumir ovos, leite e utilizar produtos de origem animal. Foi ano passado também, que Lorene veio pela primeira vez na Oktoberfest. Após conhecer o Parque Vila Germânica e experimentar o hambúrguer vegetariano de batata começou a buscar mais informações sobre a festa e se interessar pelo evento.

Lorene acredita que é muito importante festas culturais incluírem pratos como estes no cardápio para atender o público que frequenta, não só pela ideologia vegana, mas também para alérgicos a alimentos de origem animal. Para ela, opções vegetarianas e veganas estão se tornando cada dia mais comuns nos restaurantes, mas ainda se encontram dificuldades de se alimentar fora de casa, principalmente em restaurantes menores e em cidades pequenas. Desta forma a festa deveria investir em um cardápio, para pessoas veganas/vegetarianas mais variado, como por exemplo, uma batata recheada vegana, pastel vegano e vários outros pratos típicos.

A estudante de Medicina Ana Carolina Pfiffer Muniz concorda. Ana sofre com intolerância a glúten desde os dez anos de idade e hoje também encontra dificuldades, principalmente, para comer fora de casa. “Não consigo encontrar aquilo que gostaria de comer nos restaurantes e, muitas vezes, preciso optar por uma salada”, relata a estudante.

Ana acredita, também, que este mercado atrai muitos clientes, como ela, que já frequentou vários dias a os pavilhões desta 35ª edição e conseguiu se satisfazer com as opções do cardápio.

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