Sete mil toneladas de resíduos domiciliares são recolhidos pelo Samae todos os meses

Material é recolhido pelo Samae e encaminhado à Cooperativa de Recicladores de Blumenau

Sávio James Pereira

O Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) recolhe, em Blumenau, mensalmente, cerca de sete mil toneladas de resíduos em domicílios, e mais 325 toneladas de recicláveis. O material recolhido é encaminhado à Cooperativa de Recicladores de Blumenau para ser tratado, já que a quantidade, muitas vezes, não chega devidamente separada.

De acordo com o gerente de Resíduos Sólidos do Samae, João Carlos Franceschi, durante os meses de março e abril deste ano, foram distribuídos materiais informativos sobre a separação dos materiais e o calendários de coleta.

Hoje, a coleta atende 60% das ruas do município e, para o ano que vem, o serviço deve ser alterado para atender 100% das vias de Blumenau. De acordo com Franceschi, as informações sobre a contratação, a empresa e os serviços serão divulgados para a população, com instruções, em todas as residências da cidade.

Nesta imagem, estão presentes apenas três tipos de lixeiras das quato mais comuns (Plastico, Papel, Vidro, Metal)
Foto: Sávio James Pereira

O lixo produzido localmente faz parte de um montante nacional: de acordo com uma pesquisa do Senado Federal, de 2010, o Brasil produz 61 milhões de toneladas de lixo por ano e, segundo pesquisa do IBGE, cerca de 64% dos municípios brasileiros descartam esses resíduos de forma inadequada, seja por negligência, falta de conhecimento ou ausência de um local correto para o descarte do lixo.

Com a proposta de promover o consumo sustentável e proporcionar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos, o Ministério do Meio Ambiente criou a Lei 12.305/2010, instituindo a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Presença de materiais hospitalares em meio ao reciclado na Cooperreciblu.
Foto: Sávio James Pereira

A lei determina “a responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos, fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, o cidadão e titulares de serviços de manejo dos resíduos sólidos urbanos”.

Em Blumenau, quem cuida da parte de instalação e manutenção das lixeiras – assim como do serviço de limpeza de praças, parques e ambientes públicos – é a Secretaria Municipal de Conservação e Manutenção Urbana (Seurb). De acordo com a assessoria de imprensa, até o momento não existem projetos aumentar a quantidade de lixeiras, padronizar ou regularizar os locais de reciclagem.

É comum encontrar em locais públicos e no dia-a-dia lixeiras das cores azul (papel); vermelho (plástico); verde (vidro); e amarelo (metal). Porém existem alguns outros tipos e cores, como branco (materiais ambulatoriais e de serviços de saúde); cinza (resíduos não recicláveis); laranja (materiais perigosos); marrom (orgânicos); preto (madeira); e roxo (radioativos).

A estudante do curso de Ciências Biológicas Maria Luiza Cardoso acredita que muitas pessoas não se preocupam realmente com a reciclagem e o descarte correto do lixo. “Alguns estabelecimentos não colocam as lixeiras básicas para a separação dos resíduos, e, quando fazem, não sabemos realmente se o responsável que vai fazer coleta é uma pessoa capacitada para a atividade”.

Em contrapartida, a acadêmica acredita que houve crescimento na preocupação com a causa. “A cada dia, os estabelecimentos estão encontrando novas maneiras de impactar menos o meio ambiente, um exemplo é a diminuição de uso de plástico como sacolas, canudos e outros que estão muito em alta nos dias de hoje”, afirma Maria Luiza.

Para a coordenadora do Projeto Reciclando Hábitos, a professora de Biologia, da Furb, Simone Wagner, o descarte correto destes resíduos interfere diretamente no meio-ambiente. “Quando descartamos incorretamente estamos, de forma indireta, nos contaminando, também. Por exemplo, com a contaminação da água, ocorre a redução do número de peixes e de plantas saudáveis para nosso consumo, interferindo em toda a cadeia alimentar, além de propiciar a proliferação de doenças”, alerta a professora.

Ainda, segundo a especialista, a preocupação deve partir do poder público, com campanhas de conscientização. “Quando a comunidade começa a se dar conta desses impactos e o poder público dá as respostas necessárias à população, com coleta seletiva e destino adequado, além de saneamento básico, campanhas de educação e uma política de cuidado com o meio ambiente, a mudança de hábitos tende a acontecer”, afirma.

O que está sendo feito na cidade?

Consciente de que os materiais descartados de forma incorreta pode causar efeitos nocivos à saúde e a natureza, alguns grupos de Blumenau se reuniram com uma iniciativa em comum: limpar ambientes municipais. No mês de março deste ano, o alvo das ações foi Ribeirão Garcia, onde o grupo Amigos da Natureza, composto por moradores da cidade, recolheu cerca de 3 mil quilos de resíduos no local.

Voluntário em ação na limpeza do Riberão Garcia.
Foto: João Muniz/Especial

A Furb, por sua vez, também recebeu ações parecidas. Um grupo de estudantes realizou a limpeza de “locais verdes” da universidade, recolhendo mais de vinte sacos de lixo. Entre os objetos recolhidos, foram identificados instrumentos de laboratórios, cama de ferro, pneu, embalagens de plástico e entre outros.

Parte dos resíduos recolhidos pelos estudantes nas áreas verdes da FURB.
Foto: PET BIO/Divulgação

Estabelecimento comerciais de Blumenau, também, tomaram a iniciativa e aderiram a campanha de recolher pilhas, lâmpadas, e medicamentos vencidos, para o descarte correto. 

Já sabe onde descartar materiais nocivos ao meio-ambiente? Não? Então confira abaixo:

Pilhas: 
Giassi, Rede Galegão, Fort Atacadista, Rede Angeloni, Rede Cooper
Lâmpadas: Giassi, Rede Cooper
Medicamentos Vencidos: Todas as farmácias de Blumenau

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